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Chile espera pior queda do PIB em 35 anos por pandemia

Por Paulina ABRAMOVICH
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Funcionários municipais de Maipu distribuem refeições entre os moradores de uma região pobre de Santiago durante a quarentena total obrigatória devido à pandemia de coronavírus COVID-19 em Santiago, em 16 de junho de 2020.
Funcionários municipais de Maipu distribuem refeições entre os moradores de uma região pobre de Santiago durante a quarentena total obrigatória devido à pandemia de coronavírus COVID-19 em Santiago, em 16 de junho de 2020.

O Chile enfrentará a pior contração econômica em 35 anos em 2020, com uma queda no PIB que pode chegar a 7,5% em relação ao ano passado devido à pandemia de coronavírus, estima o Banco Central na quarta-feira.

O organismo corrigiu suas estimativas anteriores, devido a uma deterioração mais profunda da atividade.

Em seu Relatório de Política Monetária (Ipom), o Banco Central reduziu sua estimativa anterior para março - na qual esperava uma contração de 1,5% para 2,5% -, devido aos efeitos da pandemia no Chile.

"A situação que o Chile está passando não está longe do que aconteceu em outros países, nem do que está acontecendo em grande parte da América Latina. A evolução da pandemia de COVID-19 e as ações tomadas para contê-la constituem um choque sem precedentes de grande magnitude para a economia mundial", afirmou o presidente da instituição, Mario Marcel, ao apresentar o relatório ao Comitê de Finanças do Congresso.

O ministro das Finanças, Ignacio Briones, afirmou que a projeção do Banco Central está alinhada com as do governo.

O relatório do Banco Central estima uma contração anual de 6% no consumo privado, devido à queda na renda familiar, enquanto o investimento contrairá cerca de 16% em 2020, devido a uma queda acentuada nos setores não mineradores.

No Chile, os casos de coronavírus ultrapassam 215.000 e os 3.383 falecidos, com uma curva de contágio crescente e ainda não atingindo o pico.

- Segundo trimestre para o esquecimento -

A pandemia surpreendeu o Chile em plena recuperação após os efeitos dos grandes protestos sociais que eclodiram em 18 de outubro de 2019 e que paralisaram grande parte do comércio, levando a economia local a contrair 2,1% no último trimestre de 2019.

Com um primeiro caso relatado em 3 de março e medidas restritivas não tão severas a princípio, com quarentenas seletivas, alguns setores da economia chilena - especialmente mineração de cobre, metal do qual o Chile é o maior produtor do mundo - continuaram funcionando.

No entanto, com o aumento de infecções e mortes, em 15 de maio o governo impôs a quarentena geral em Santiago, a capital, onde sete dos 18 milhões de habitantes do Chile vivem e geram quase metade do PIB nacional.

Desde então, as restrições operacionais para grande parte do comércio aumentaram, sem afetar a mineração até o momento. O setor opera principalmente no norte do país e agora se beneficia do aumento internacional do valor do cobre como resultado da recuperação gradual da China.

Segundo o Banco Central, "uma parte importante da contração já ocorreu, levando em conta as quedas de atividade em março e abril", mas também antecipa que o colapso em maio e junho será maior devido às quarentenas na região metropolitana e na principais áreas urbanas da região de Valparaíso, onde foi decretado o confinamento na semana passada.

"O segundo trimestre será para o esquecimento", alertou o ministro Briones, explicando que durante maio e junho as quedas serão piores que a contração de 14,7% registrada em abril em relação ao ano anterior.

- Recuperação em 2021 -

O governo e o Banco Central esperam uma forte recuperação no próximo ano, acima dos baixos níveis de 2020.

"Em 2021, devemos ter uma forte recuperação", disse o ministro, sem dar porcentagens.

Enquanto isso, o Banco Central estimou que durante 2021 e 2022 a economia se recuperará, com um crescimento estimado de 4,75% a 6,25% no próximo ano e de 3% a 4% no ano seguinte.

O presidente Sebastián Piñera assinou um projeto de lei na terça-feira para expandir uma receita de emergência e um plano de recuperação por dois anos, no valor de 12.000 milhões de dólares.