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Chile e Colômbia falham em segurar moedas com discursos opostos

(Bloomberg) -- Não há alívio à vista para as moedas com pior desempenho no mundo - quer as autoridades locais procurem intervir ou não.

Os pesos chileno e colombiano estenderam suas perdas na terça-feira, empurrando uma desvalorização nos últimos 30 dias para mais de 15%, enquanto as autoridades dos dois países adotaram discursos diferentes em relação a possíveis medidas para sustentar suas moedas.

No Chile, o banco central jogou água fria na especulação de intervenção, dizendo em uma declaração que isso não era necessário, pois outros mercados foram capazes de absorver o choque. Por outro lado, o presidente eleito da Colômbia, Gustavo Petro, aconselhou os investidores a não apostarem contra o peso, dizendo que a moeda vai se recuperar. Petro, que ainda não assumiu o cargo, não mencionou nenhum plano específico e o banco central não se envolveu.

Os pesos do Chile e da Colômbia, juntamente com outras moedas associadas a commodities, estão se rendendo à força do dólar, devolvendo ganhos que as deram alguns dos melhores desempenhos do mundo no primeiro trimestre do ano. Outras moedas sul-americanas, incluindo o real brasileiro, também estão sendo prejudicadas à medida que os diferenciais de juros que jogavam a seu favor no início deste ano começam a perder seu apelo de carry trade.

Os mercados chilenos devem “continuar a testar as autoridades sobre uma intervenção”, disseram estrategistas do Citigroup, incluindo Dirk Willer, em nota antes de uma decisão de juros na quarta-feira.

“As autoridades provavelmente terão que entregar um aumento significativo para chocar o mercado, se quiserem sinalizar que estão preocupadas com o câmbio e as implicações para a inflação”, disseram.

O banco central do Chile interveio no mercado de câmbio apenas cinco vezes desde 1999. De acordo com uma análise do Barclays, quando isso acontece, a moeda tende a ganhar cerca de 5% nas duas semanas seguintes, o que poderia abrir uma janela de oportunidade para investidores, disse o estrategista do banco Erick Martinez.

O banco central deve aumentar juros em pelo menos 0,5 ponto percentual na reunião de quarta-feira, de acordo com a maioria dos economistas consultados pela Bloomberg.

O peso chileno está sendo negociado em território desconhecido desde o final de junho, quando se enfraqueceu além de um recorde anterior. A taxa de câmbio ultrapassou o nível psicologicamente importante de 1.000 por dólar, arrastada por uma queda nos preços do cobre.

O peso colombiano também está sendo negociado em mínimas recordes em meio à queda nos preços do petróleo e à incerteza política.

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