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Chile discute quarto saque de fundos de pensão

·3 minuto de leitura
Pessoas fazem fila em frente a um escritório da Administradora do Fundo de Pensão para processar o saque de seus fundos em Santiago, em 26 de abril de 2021 (AFP/Martin BERNETTI)

Gabriel Guzmán tem 27 anos e, como milhares de jovens trabalhadores, cruza os dedos para que o Congresso chileno aprove uma quarta retirada antecipada dos fundos de pensão, uma opção que surgiu na pandemia, mas que alimenta a inflação.

"Concordo em fazer meu quarto saque porque hoje o dinheiro vale mais na minha mão, porque posso investi-lo", diz Guzmán, que se formou em economia em 2019, falando em Cerrillos, uma localidade do oeste de Santiago.

Desde setembro de 2020 e em meio à pandemia do coronavírus, o Congresso aprovou três saques de até 10% dos recursos em contas individuais nas administradoras privadas de fundos de pensão, entidades criticadas pelos chilenos por pagarem pensões baixas.

Os trabalhadores sacaram um total de 50 bilhões de dólares, segundo a Superintendência de Pensões.

"Todos os economistas consideram indesejável, porque se trata de uma retirada de dinheiro guardado para a velhice", lamenta o economista Víctor Salas, da Universidade de Santiago, em entrevista à AFP.

Cinco milhões de pessoas, de 11 milhões de afiliados, já ficaram sem fundos nessas administradoras instituídas há 40 anos na ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Boa parte da atual expansão econômica se deve ao forte aumento do consumo, graças aos saques e ajudas governamentais às famílias, que no segundo semestre alcançaram 16 dos 19 milhões de habitantes.

A indignação com o sistema de pensões foi uma das causas do violento distúrbio social de 2019, uma mobilização que desencadeou um processo constituinte.

No Chile, existe um clamor pela mudança do sistema previdenciário, mas por enquanto não existe um modelo para substituí-lo.

A quarta retirada está em discussão no Congresso depois que o Banco Central elevou a taxa básica de juros para conter a inflação que ameaça ultrapassar a meta anual de 4%.

O debate se dá em meio a alertas de que a economia corre o risco de "superaquecer" por conta do excesso de liquidez, em razão dos saques e das ajudas públicas, que hoje chegam a 3 bilhões de dólares por mês.

"Há um contorno de superaquecimento que pode ser visto nos números da inflação, que estão em alta, mas acima de tudo há um potencial de superaquecimento difícil de estimar e que é importante", explica o economista Guillermo Larraín, ex-superintendente de Previdência e de Valores e Seguros.

"Não há razão macroeconômica para proceder ao quarto saque. Tampouco há motivo previdenciário [...]. O que orienta isso é um motivo bastante político", aponta o doutor em economia e professor da Universidade do Chile.

O governo conservador de Sebastián Piñera se opôs às retiradas, mas não conseguiu impedi-las nem mesmo com os parlamentares de sua coalizão.

Em ano eleitoral, é impopular para um parlamentar que busca a reeleição votar contra a liberação de fundos. As eleições presidenciais e legislativas serão em 21 de novembro.

Após a pandemia, os saques e auxílios favoreceram uma reativação precoce e a economia chilena cresceria este ano até 11,5% em relação a 2020, segundo o Banco Central.

Boa parte dos fundos retirados foi colocada em depósitos bancários, mas "se as pessoas decidirem gastar esse dinheiro, então pode haver um problema de demanda excessiva", alerta Larraín.

Mas as explicações não convencem os jovens trabalhadores. "É confortável dizer 'não concordo', quando se come todos os dias, quando se pode trabalha", sustenta Guzmán.

"Quando se vive mal no presente, o futuro pouco importa. Entre estar ruim hoje e estar pior amanhã, prefere-se estar bem hoje", conclui.

msa-fj/pb/mr

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