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De bolsonaristas a ex-aliados, Chico Rodrigues deu munição a todo mundo

Matheus Pichonelli
·3 minutos de leitura
Brazilian Social Liberal Party (PSL) Senator-elect for Sao Paulo Major Olimpio gestures as he asks supporters to stop booing journalists during PSL presidential candidate Jair Bolsonaro's press conference in Rio de Janeiro, Brazil on October 11, 2018. - The far-right frontrunner to be Brazil's next president, Jair Bolsonaro, stumbled Wednesday by spooking previously supportive investors, while a spate of violent incidents pointed to deep polarization caused by the election race. (Photo by Mauro Pimentel / AFP)        (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)
O hoje senador Major Olimpio durante coletiva do PSL com apoiadores de Bolsonaro em 2018, no Rio. Foto: Mauro Pimentel / AFP (Via Getty Images)

Para não gerar maiores constrangimentos, a equipe responsável pela operação contra o vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), decidiu manter longe do respeitável público as imagens do momento em que notas de dinheiro foram encontradas nas partes íntimas do parlamentar cujo esquema foi literalmente desnudado.

Afastado do mandato por ordem do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, o senador deu munição a todo tipo de discurso desde que foi flagrado pela PF.

Os opositores de sempre, como era possível imaginar, já usam o episódio como prova de que o compromisso do governo Bolsonaro no combate à corrupção tem mais furo do que a cueca do aliado. A fábrica de memes operou em alto ao longo do dia.

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O próprio Bolsonaro correu para ressignificar o caso, como se a exclusão do aliado do quadro de interlocutores no Congresso fosse, na verdade, uma oportunidade de mostrar que esta é uma gestão que não tolera corrupção, venha de onde vier. A conversa, é verdade, fica mais frágil quanto mais se aproxima do círculo pessoal do presidente, mas a estratégia deve servir apenas para alimentar a militância.

No meio do tiroteiro, chama a atenção como tem se comportado uma outra ala do tabuleiro: a que rompeu com o presidente e que já corre para reivindicar razão quando alertava sobre os caminhos tomados pelo governo em direção ao "centrão".

Essa ala pode ser representada pelo senador Major Olimpio (PSL-SP), um dos mais entusiasmados apoiadores de Bolsonaro durante a campanha e que rompeu com o governo por desavença com os filhos do presidente e outras questões.

Um dia após a prisão do colega de Roraima, o ex-aliado afirmou ao colunista Chico Alves, do UOL, que foi o governo federal que criou as condições para desvios das verbas de emendas parlamentares para combate à covid-19, centro das investigações sobre o (agora ex) vice-líder de Bolsonaro no Senado.

Olimpio ironizou a oferta de R$ 30 milhões feita pelo governo "a fundo perdido, num momento de pandemia, sem precisar fazer processo licitatório formal".

A crítica tem como pano de fundo a tese de que Bolsonaro, vendido na campanha como outsider, foi cooptado por "tudo isso que está aí". Dobrou-se, segundo essa tese, ao toma-lá-dá-cá.

"O responsável por essa distribuição de recursos tem nome, sobrenome e endereço: Jair Messias Bolsonaro, Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes", disse Olimpio, para quem "não adianta falar" que afastou o aliado se foi ele, o presidente, quem criou um "sistema perigoso" sujeito a "desfechos infelizes dessa natureza".

Ao fim da entrevista, o senador anunciou que está no páreo, sim, para disputar a Presidência. Já vislumbra, inclusive, "debates históricos" com o ex-amigo.

A prisão de um aliado governista com dinheiro na cueca era brecha demais para deixar a oportunidade passar.

Afastados por constrangimento ou desavenças, os ex-amigos de Bolsonaro são hoje os maiores responsáveis pelos furos no barco governista. Parte deles já arregaça as mangas para construir um barco alternativo.

Só que neste barco pode ter mais candidatos do que vaga. Olimpio está no páreo. Pode ter a companhia (ou concorrência) de bolsonaristas arrependidos como Sergio Moro, Luiz Henrique Mandetta, Joice Hasselmann, João Doria e grande elenco. Serão capazes de formar uma "frente ampla" que a oposição de fato não conseguiu reunir além de uma live?