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Chernobyl: estudo indica que exposição à radiação não prejudica geneticamente as gerações futuras

Gabriel Sérvio
·4 minuto de leitura
Chernobyl: estudo indica que exposição à radiação não prejudica geneticamente as gerações futuras
Chernobyl: estudo indica que exposição à radiação não prejudica geneticamente as gerações futuras

Em maio de 1986, uma série de falhas ocorreram durante um teste de segurança feito na usina nuclear de Chernobyl, ao norte da Ucrânia, causando um dos maiores desastres nucleares da história. Agora, 35 anos depois, especialistas estão descobrindo a extensão dos danos causados pela exposição à radiação nos trabalhadores da usina e em seus familiares, muitos nascidos anos após o acidente.

Ainda na década de 80, pesquisadores conseguiram reunir grupos de trabalhadores e moradores da região para o início de estudos a longo prazo sobre o tema, algo que contribuiu para que dois novos artigos, publicados na última segunda-feira (26) na Science, saíssem do papel. O primeiro foca no câncer de tireoide causado pela exposição à radiação. Enquanto o segundo, rastreou os efeitos da radiação nos filhos das pessoas afetadas pelo desastre.

<em>Foto aérea dos reatores da usina de Chernobyl Imagem: lux3000/Shutterstock</em>
Foto aérea dos reatores da usina de Chernobyl Imagem: lux3000/Shutterstock

Sobre o câncer, a pesquisa conduzida por Stephen Cranock, autor de ambos os artigos e diretor da divisão de câncer, epidemiologia e genética do National Cancer Institute (Instituto Nacional do Câncer) examinou mais de 350 pessoas que viviam em Chernobyl e desenvolveram tumores após serem expostas à radiação quando crianças.

Os resultados foram comparados com outras 81 pessoas que nasceram perto de Chernobyl depois de 1986 e desenvolveram câncer de tireoide, porém nunca foram expostas à radiação. Cranock e sua equipe descobriram que os casos de câncer causados ​​pela exposição radioativa tinham de fato genes mutantes. Em contraste, no grupo de 81 pessoas não expostas, a doença foi causada ​​por ‘mutações de ponto único’, ou seja, onde apenas um par de base do DNA é alterado.

De forma resumida, o câncer é causado ​​por mutações no DNA. Algumas linhas do código genético são excluídas ou misturadas, permitindo que as células se multipliquem de maneira anormal. Às vezes, essas alterações são genéticas, mas também, como em Chernobyl, podem ser causadas por fatores ambientais. Logo, compreender o DNA de um tumor pode ajudar a criar terapias direcionadas para combatê-lo.

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Décadas de estudo

Acidente nuclear de Chernobyl
Reator nuclear n.º 4 confinado em “sarcófago” de segurança. Imagem: Vladimirova/Shutterstock

Durante anos, estudos mostraram que o câncer de tireoide é particularmente comum nas pessoas expostas ao iodo radioativo (especialmente em crianças). Em doses altas, a exposição chega a matar as células da glândula.

A radiação de Chernobyl não foi suficiente para isso. Segundo os cientistas, a exposição de meses a doses mais baixas causou mudanças nas células, resultando em tumores. Os pesquisadores descobriram outra relação importante: quanto mais radiação uma pessoa era exposta e quanto mais jovem ela era no momento da exposição, mais “quebras” ocorriam em seu DNA.

As comunidades próximas a Chernobyl, os trabalhadores que foram encarregados de isolar o reator radioativo em um “sarcófago” (feito de aço e concreto) e os residentes que sofreram a chamada exposição indireta também foram monitorados na época.

Um exemplo prático da exposição indireta seria o seguinte: isótopos radioativos caíram nos campos e em seguida foram ingeridos pelas vacas, transmitindo a radiação para o leite e consequentemente para as pessoas que o beberam. Portanto, até as informações sobre o consumo de laticínios ofereceram pistas sobre a quantidade de radiação à qual uma pessoa foi exposta.

Reflexo nas gerações futuras

<em>Carrossel abandonado no centro de Pripyat, cidade fantasma localizada na zona de exclusão de Chernobyl. Imagem: Kateryna Upit/Shutterstock</em>
Carrossel abandonado no centro de Pripyat, cidade fantasma localizada na zona de exclusão de Chernobyl. Imagem: Kateryna Upit/Shutterstock

No segundo artigo, os pesquisadores se concentraram nos pais de um grupo de 130 crianças para avaliar possíveis mutações genéticas nos óvulos ou espermatozoides pela exposição à radiação. Durante décadas as pessoas se perguntaram se isso era um fator que aumentaria a probabilidade de mutações, passando seus efeitos para as gerações futuras.

Para responder à questão, os pesquisadores sequenciaram o genoma de crianças nascidas até 15 anos após o desastre. Eles descobriram que não havia mutações no DNA nos filhos dos sobreviventes de Chernobyl. Um resultado positivo, já que algumas dessas crianças, agora com vinte anos ou mais, consideram começar suas próprias famílias.

A informação também é importante para outros sobreviventes da exposição à radiação, incluindo pessoas que viviam ao redor da usina nuclear de Fukushima Daiichi, onde, em 2011, um terremoto provocou derretimentos em três de seus reatores.

Por fim, os estudos ilustram a importância dos investimentos de longo prazo na pesquisa científica e na coleta de dados. Embora a pesquisa aproveite das descobertas recentes no campo da genética, ela certamente não poderia ter sido conduzida sem o monitoramento de radiação e as entrevistas com os moradores da região de Chernobyl, algo que continuou acontecendo ao longo de décadas após o acidente.

Fonte: Science, 2