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Chefe da NASA visita SpaceX e confia que Crew Dragon estará pronta em breve

Daniele Cavalcante

Depois de uma pequena troca de provocações, o administrador da NASA, Jim Bridenstine, e Elon Musk, CEO da SpaceX, se encontraram na sede da companhia espacial para falar sobre a importância do desenvolvimento da nave Crew Dragon, e também sobre os prazos estabelecidos, deixando o clima entre ambos mais ameno.

A visita à sede da SpaceX, em Hawthorne, na Califórnia, ocorreu nesta quinta-feira (10). O administrador da agência espacial fez um discurso ao lado de dois astronautas, Bob Behnken e Doug Hurley (ambos da NASA), que um dia viajarão a bordo da Crew Dragon. Bridenstine começou sua fala com algumas breves observações sobre a importância e a prioridade dessa missão, afirmando que ele e Musk concordam que o lançamento comercial de astronautas americanos é "a maior prioridade" dentre os vários projetos da NASA e da SpaceX.

Bridenstine e Musk entraram em detalhes sobre o andamento do programa e sobre o que falta fazer para que, finalmente, o voo tripulado possa acontecer com esta nova nave. Os comentários de Bridenstine eliminaram qualquer possibilidade de que isso ocorra ainda em 2019. No entanto, ele afirmou estar "muito confiante de que, na primeira parte do próximo ano, poderemos lançar astronautas americanos em foguetes americanos" e que se "tudo correr bem de acordo com o plano", isso aconteceria no primeiro trimestre de 2020.

Por sua vez, Musk observou que a SpaceX teria que antes executar ainda 10 testes bem-sucedidos, usando o recém desenvolvido sistema de pára-quedas Mark 3 para a cápsula. Só assim eles poderiam apostar na confiabilidade do sistema de lançamento da Crew Dragon para uma missão tripulada. Bridenstine disse que, com base no cronograma atual, a SpaceX poderia executar até 10 testes de queda usando o sistema Mark 3, a partir de agora e finalizando no final deste ano. Esse novo sistema de pára-quedas é mais resistente graças à mudança do nylon para um material chamado "xylon", que é três ou mais vezes mais forte que o material usado antes, segundo Musk. A nova versão também usa um novo padrão de costura para maior resistência.

A nave Crew Dragon em um foguete Falcon 9, ambos da SpaceX (Foto: SpaceX)

Ambos ressaltaram que os cronogramas mencionados anteriormente, que colocaram 2019 como meta para o primeiro voo tripulado da Crew Dragon, "não são prazos", mas sim um "melhor palpite", nas palavras de Musk. As coisas podem mudar rapidamente, e Bridenstine acrescentou que "ainda há coisas que podemos aprender [em testes]" que podem alterar os prazos para depois da primeira parte do próximo ano.

Quanto à sua publicação no Twitter, na qual provocou Elon Musk na ocasião da apresentação de outra nave (a Spaceship), Bridenstine decidiu não recuar em sua postura. "Como administrador da NASA, tenho me concentrado em retornar ao realismo quando se trata de custos e horários", disse ele. “E muitos dos nossos programas não cumprem custos e horários. Isso vem se desenvolvendo ao longo do tempo, e muitos desses programas têm cinco anos, dez anos [...]. Então, o que estamos tentando fazer é voltar para os tempos em que temos custos e cronogramas realistas, e eu estava sim sinalizando, não apenas à SpaceX, mas a todos os nossos contratados, que precisamos de mais realismo embutido nos cronogramas de desenvolvimento”.

Bridentstine deixou claro que a NASA definitivamente apoia o programa Starship (veículo da SpaceX que será capaz de levar até 100 pessoas à Lua ou a Marte), mesmo que esteja priorizando a nave Crew Dragon no momento atual. Afinal, a Crew Dragon é a nave que levará astronautas estadunidenses à Estação Espacial Internacional no futuro próximo, fazendo com que os EUA não precisem mais comprar assentos nas naves russas Soyuz.

"Quero que as pessoas não se enganem: a NASA tem interesse em ver o Starship ser bem-sucedido", disse o administrador da NASA. No fim, ambos sabem que se, quando tudo dá certo, todos saem ganhando.



Fonte: Canaltech

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