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Chefão da App Store apaga conta no Twitter e usuários temem futuro do app no iOS

O chefe da App Store da Apple, Phil Schiller, excluiu sua conta no Twitter durante o fim de semana. A medida pode ser um indicativo de problemas de relacionamento entre a criadora do iOS e a rede social de Elon Musk.

A visão pessoal do chefe da App Store é importante para a empresa, ajudando a moldar as políticas abrangentes da loja virtual ao longo dos anos. Saber que ele deixou a plataforma pode ter alguma relação com negociações ou acordos feitos com o alto escalação da Maçã.

Não está claro o motivo pelo qual Schiller tomou tal decisão, pois não houve pronunciamento oficial do executivo. Ele pode ter apenas se cansado da plataforma e decidido dar um tempo. Por outro lado, a medida poderia estar ligada a algum descumprimento das regras da loja oficial da Maçã, uma notícia ruim para o serviço no atual momento.

Segundo o ex-chefe de confiança e segurança do Twitter Yoel Roth, é fundamental manter-se alinhado às regras do Android e do iOS para não enfrentar problemas. As duas empresas são bastante rígidas na fiscalização do cumprimento de suas regras, banindo desenvolvedores que as violam.

“O não cumprimento das diretrizes da Apple e do Google seria catastrófico, arriscando a expulsão do Twitter de suas lojas de aplicativos e tornando mais difícil para bilhões de usuários em potencial obter os serviços do Twitter. Isso dá à Apple e ao Google um enorme poder para moldar as decisões que o Twitter toma”, disse Roth em seu perfil oficial.

Se o Twitter fosse excluído da loja do iOS, novos usuários não conseguiriam mais baixar o aplicativo oficialmente. A plataforma ainda funcionaria pelo navegador, mas a experiência de uso é bem diferente de um app nativo. Poderia haver dificuldade também para as pessoas pagarem pelo Twitter Blue, o serviço de assinatura que dá direito ao selo azul.

Por que a Apple poderia punir o Twitter?

A declaração veio no momento em que Musk começa a implementar sua política de "liberdade de expressão". O bilionário defende a liberdade total para pessoas falarem qualquer coisa que desejarem, desde que não desrespeitem as leis.

O problema da medida é o suposto crescimento do discurso de ódio, de teorias conspiratórias, de movimentos anticiência e da disseminação livre de desinformação na plataforma — o que já começou a ocorrer. A Apple é bastante restritiva quanto a conteúdos sobre violência, racismo e outras práticas socialmente condenáveis, logo permitir esse tipo de discurso poderia levar a violação de regras da App Store.

Ontem (21), o Twitter trouxe de volta as contas de Donald Trump e Kanye West, ambos banidos por descumprir as diretrizes antigas da plataforma. A decisão foi tomada pelo dono da rede social em uma enquete publicada no seu perfil: 51,8% foram favoráveis ao retorno do ex-presidente dos EUA.

O ecossistema do iPhone é considerado estratégico para qualquer rede social, mas é alvo de críticas desde a implementação do App Tracking Transparency (ATT). A medida é apontada como uma das causas da crise financeira que abala a Meta, o Twitter, o Snapchat e outras plataformas, gerando prejuízo de mais de US$ 55 bilhões.

Fonte: Canaltech

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