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Chanel aumenta preços de bolsas de olho na rival Hermès

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(Bloomberg) -- A Chanel aumentou os preços globais de algumas de suas bolsas clássicas em quase 66% desde o fim de 2019.

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Uma porta-voz disse que os aumentos são uma resposta a flutuações não especificadas das taxas de câmbio, mudanças nos custos de produção e para garantir que as bolsas da marca custem aproximadamente o mesmo ao redor do mundo. Mas executivos e analistas do setor de luxo dizem que a magnitude dos reajustes sinaliza uma estratégia corporativa agressiva: afirmar o controle sobre um dos produtos mais populares da marca, de olho em rivais mais sofisticadas.

Desde novembro de 2019, o preço da pequena bolsa clássica da Chanel nos Estados Unidos subiu 60%, para US$ 8.200, de acordo com dados compilados pela analista Kathryn Parker, do Jefferies Group. A versão grande da bolsa conhecida como 2.55 agora custa US$ 9.500 nos EUA após o aumento mais recente de preço da Chanel, o quarto feito pela marca em dois anos. A bolsa custava US$ 7.400 em junho, de acordo com Parker.

Charles Gorra, CEO da Rebag, que vende bolsas de luxo usadas, diz que a estratégia pode ter como objetivo tornar os produtos da Chanel mais exclusivos para ganhar espaço entre as bolsas mais icônicas de todas: os modelos Birkin e Kelly da rival Hermès.

Uma bolsa do modelo flap da Chanel de tamanho médio na França agora custa 7.800 euros (US$ 8.800), 100 euros a menos do que uma bolsa de couro de bezerro Birkin 30 da Hermès.

A Chanel se esforça “para fazer parte do mundo Hèrmes e menos do mundo Vuitton e Gucci”, disse Gorra. “Estão tentando se tornar mais sofisticados.”

Ubiquidade x exclusividade

Além de subir os preços de seus produtos, a Chanel tem limitado o número de bolsas que clientes podem comprar de uma só vez, embora os limites não pareçam ser consistentes.

Em Paris, um assistente de vendas da Chanel disse a um repórter da Bloomberg News que um cliente só pode comprar uma bolsa por vez e deve esperar dois meses antes de comprar outra, que não pode ter as mesmas características. Em Nova York, havia limites mensais para a compra de certos estilos clássicos, enquanto repórteres em Hong Kong e Xangai foram informados de que não havia restrições.

A Chanel pode querer que essa escassez a torne “uma marca ainda mais desejável”, disse Ines Ennaji, gerente de desenvolvimento de negócios da Luxurynsight, com sede em Paris, que fornece dados do setor. “Ao aumentar a atratividade, terão um motivo para justificar os aumentos de preços.”

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