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Ceticismo do investidor se mantém mesmo c/ venda de título curto

Davison Santana
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A preocupação de que a dívida do Brasil esteja saindo do controle deixa a curva dos swaps mais inclinada, mesmo com o Tesouro inundando o mercado com títulos de curto prazo.

As taxas da ponta longa e da barriga da curva subiram nos últimos dois meses devido ao ceticismo de que o presidente Jair Bolsonaro tenha disposição de controlar os gastos que aumentaram sua popularidade e reacenderam o crescimento. A tendência foi acentuada em setembro, quando governo sinalizou que poderia usar instrumentos fiscais criativos para financiar o programa social desejado por Bolsonaro, o Renda Cidadã.

Embora a decisão do Tesouro de concentrar as vendas da dívida em títulos de curto prazo tenha ajudado a aliviar a pressão sobre a curva, isso não foi capaz de reverter a tendência. Mesmo as repetidas promessas do ministro da Economia, Paulo Guedes, de defender a regra do teto de gastos não conseguiram restaurar a confiança de que o governo controlará o peso da dívida. Investidores têm a preocupação de que, com o número de mortos da Covid-19 aumentando, poderá ser difícil para Bolsonaro resistir à tentação de gastar mais.

A dívida pública do Brasil deve terminar o ano em cerca de 100% do Produto Interno Bruto, ante 76% apenas um ano antes.

O spread entre os rendimentos implícitos de dois e cinco anos nos contratos de NDF em dólar é o mais alto do mundo e continua a aumentar. Também não há trégua imediata à vista, com os legisladores suspendendo o debate sobre as reformas fiscais até depois das eleições municipais de 15 de novembro.

O comunicado dovish do Banco Central nesta semana, que acompanhou sua decisão de manter inalterada a taxa básica de juro, adicionou tensão na curva de swaps. A perspectiva de que o juro permaneça em recorde de baixa por vários meses aumentou a inclinação da curva.

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