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Cerca de 3,5 milhões de pessoas voltam à quarentena na Colômbia

·3 minuto de leitura
Trabalhadores da saúde realizam testes de COVID-19 em Bogotá, 8 de julho de 2020
Trabalhadores da saúde realizam testes de COVID-19 em Bogotá, 8 de julho de 2020

Cerca de 3,5 milhões de pessoas retornaram ao confinamento rigoroso na Colômbia nesta segunda-feira (13), em meio ao crescimento "alarmante" de novas infecções por coronavírus que, segundo as autoridades, podem atingir sua máxima disseminação nas próximas semanas.

Somente na capital colombiana, o confinamento atinge 2,5 milhões dos seus 8 milhões de habitantes. Atualmente, Bogotá concentra um terço dos mais de 154.000 casos de COVID-19 detectados desde 6 de março no país. Com uma população de 50 milhões de habitantes, em toda a Colômbia, pouco mais de 5.400 pessoas morreram desde então, 1.168 na capital.

"Temos um crescimento diário dessa doença hoje. Relatamos mais de 2.000 casos positivos por mais de três dias", disse a prefeita de Bogotá, Claudia López, em vários meios de comunicação. "A velocidade com que a pandemia em Bogotá está crescendo é alarmante", enfatizou.

Como resultado, a partir desta segunda-feira e até 23 de agosto, a cidade terá quarentenas de 14 dias por localidades (grupos de bairros), com o objetivo de remover 2,5 milhões de pessoas por turno.

O sistema de terapia intensiva habilitado em Bogotá para atender os casos mais graves da doença atingiu 90% de ocupação, razão pela qual foi declarado em alerta máximo.

- Superando o pico -

Medellín, a segunda cidade do país, também começou a aplicar restrições semelhantes que, em princípio, impedirão a movimentação diária de um milhão de seus 2,4 milhões de habitantes até 28 de julho, segundo a prefeitura.

A Colômbia decidiu retornar gradualmente ao modelo mais rígido de prevenção de infecções, em um momento em que a América Latina e o Caribe enfrentam um pico crítico da emergência sanitária, que também desencadeou um grave declínio econômico.

Nesta segunda-feira, a região estava atrás da Europa como a área mais afetada pelo número de mortos pela pandemia. A Colômbia é o quinto país latino-americano com o maior número de infecções e mortes depois de Brasil, México, Peru e Chile.

Nos bairros de Bogotá onde uma quarentena rigorosa foi aplicada, a polícia reforçou a vigilância e a atividade da população foi limitada ao máximo. Somente mercados, farmácias e serviços de entrega de comida puderam permanecer abertos.

Mais de 400 soldados se juntaram às operações de controle das entradas e saídas destes estabelecimentos. Durante o confinamento, a venda de bebidas alcoólicas estará proibidas nos fins de semana.

"Tomamos estas medidas para superar o pico de contaminações", que está previsto para as próximas semanas, explicou a prefeita de Bogotá.

A cidade respeitou um confinamento geral entre 20 de março e 27 de abril. Contudo, pressionado pelo colapso da economia, o governo do presidente Iván Duque liberou aos poucos as atividades, mas prorrogou as medidas de isolamento, que irão até 1º de agosto.

O governo colombiano prevê em 2020 um dos "piores" desempenhos econômicos da história do país, com uma queda estimada em 5,5%, segundo o ministério da Fazenda.

Em meio à crise sanitária, Duque autorizou um dia sem imposto sobre vendas -o que havia sido definido antes da chegada do vírus-, o que levou a grandes aglomerações no comércio. A medida foi duramente criticada pela prefeita de Bogotá.