Mercado abrirá em 5 h 54 min
  • BOVESPA

    119.297,13
    +485,13 (+0,41%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    47.503,71
    +151,51 (+0,32%)
     
  • PETROLEO CRU

    61,03
    +0,85 (+1,41%)
     
  • OURO

    1.747,10
    -0,50 (-0,03%)
     
  • BTC-USD

    64.579,41
    +3.807,50 (+6,27%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.395,53
    +101,54 (+7,85%)
     
  • S&P500

    4.141,59
    +13,60 (+0,33%)
     
  • DOW JONES

    33.677,27
    -68,13 (-0,20%)
     
  • FTSE

    6.890,49
    0,00 (0,00%)
     
  • HANG SENG

    28.858,98
    +361,73 (+1,27%)
     
  • NIKKEI

    29.620,99
    -130,61 (-0,44%)
     
  • NASDAQ

    13.969,00
    -6,75 (-0,05%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,8422
    +0,0110 (+0,16%)
     

Cepa de Manaus é predominante nos casos de Araraquara, cidade de SP com surto de Covid

O Globo
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO - A variante P.1 do coronavírus, inicialmente detectada em Manaus (AM), já é a predominante entre os casos de Covid-19 na cidade de Araraquara (SP), que nas últimas semanas vive recordes de internações e mortes pela doença. O município, que decretou lockdown para tentar conter o surto, encaminhou 57 amostras para análise no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP). Esse estudo preliminar encontrou a linhagem em 93% delas.

A investigação foi feita a partir de secreção nasofaríngea coletada entre os dias 25 de janeiro e 23 de fevereiro deste ano de pacientes da cidade que tiveram diagnóstico confirmado e foram atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

“Até 17 de fevereiro ainda encontramos alguns casos de infecção por outras linhagens. A partir daí foi tudo P.1.”, contou a cientista Camila Romano, coordenadora da pesquisa, à Agência Fapesp.

O estudo, que faz parte de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para acompanhar as infecções pelo vírus Sars-CoV-2 em Araraquara, avaliou tanto amostras de pacientes que precisaram ser hospitalizados quanto de outros que não evoluíram para casos graves e não necessariamente apresentam comorbidades. Segundo os pesquisadores, isso é importante porque dá um retrato mais equilibrado do que se passa na população.

Perigo

Araraquara virou um ponto de atenção para os cientistas nos últimos meses porque, desde a detecção da variante P.1 na cidade, o sistema de saúde local está sobrecarregado, à beira de um colapso. A ocupação dos leitos de UTI destinados aos doentes com Covid é de 100% no município.

A linhagem P.1, assim como as detectadas inicialmente no Reino Unido (B.1.1.7) e na África do Sul (B.1.351), é temida por indicar uma maior capacidade de se propagar. Um estudo sobre a cepa brasileira divulgado no final da última semana concluiu que ela é de 1,4 a 2,2 vezes mais infeciosa que a tradicional. Além disso, ela apresenta grande propensão a causar reinfecção: na simulação feita pelos autores, de 25% a 61% dos que já contraíram a Covid com a forma anterior do vírus, se expostos à P.1, se reinfectariam.

“Ainda não sabemos quando exatamente a P.1. entrou em Araraquara e estamos analisando amostras mais antigas para tentar descobrir. Mas os dados que temos até agora sugerem que também nessa cidade [assim como em Manaus] ela se tornou a mais prevalente em menos de dois meses”, afirmou Romano à Agência Fapesp. “É incomum uma linhagem emergente substituir completamente outra já estabelecida em tão pouco tempo, ainda mais quando há um foco epidêmico ativo e um grande número de indivíduos já infectados. É assustador e mostra o poder desse vírus.”

Mais ágil

Outro ponto interessante desse estudo sobre Araraquara foi o uso de um processo mais rápido e barato, segundo o IMT-USP, para identificar a linhagem P.1. O método empregado pelo grupo não depende do sequenciamento genético do vírus presente nas amostras.

“Desenhamos um novo ensaio de RT-PCR, similar ao que é usado para diagnóstico, mas capaz de diferenciar quais casos positivos de COVID-19 estão relacionados à linhagem P.1.”, disse Romano.

Para isso, os cientistas focaram na observação de um gene chamado NSP6, pois nele, que é atrelado aos processos de replicação do vírus, há uma mutação-chave para essa variante. A mesma observação vale para as cepas britânica e sul-africana.