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Corrige: CEO que já foi homem entende bem de igualdade de gênero

Rafaela Lindeberg
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Caroline Farberger, diretora-presidente de uma seguradora sueca, se lembra de como conduzia reuniões quando era homem.

“Eu me dirigia, sem pensar, para os meus favoritos na sala, os que eu conhecia compartilhavam minhas opiniões e, de repente, éramos três pessoas de acordo”, disse. “Então, eu olhava para os outros e perguntava se havia alguma outra opinião, e é claro que não havia. Eu poderia apenas dizer ‘ótimo, temos uma decisão’ e seguir em frente.”

Farberger, de 53 anos, que em 2018 passou por uma alteração de gênero e publicou um livro sobre a experiência nesta semana, diz que agora reconhece que como Carl - como ela se chamava na época - tinha apenas “igualdade no papel”.

A diretora-presidente da ICA Forsakring, braço de seguros da gigante sueca de supermercados ICA, é a primeira CEO na Suécia - e talvez entre os poucos, se houver algum, no mundo - a passar por uma transição de gênero. Ela diz que isso lhe deu uma visão singular das questões de igualdade de gênero nos negócios.

O livro da executiva, intitulado “Jag, Caroline, yrkeskvinna och familjefar (Eu, Caroline: Mulher de Negócios e Pai de Família)”, descreve sua jornada transformacional, mostrando como isso deu a ela novos insights sobre questões de gênero e mudou seu estilo de liderança.

Até setembro de 2018, Farberger era um homem que teve três filhos, se destacou nas classes do serviço militar, foi maçom e em uma época consultor da McKinsey.

Disfarçada de homem

“Estive disfarçada de homem por 50 anos”, disse a executiva em entrevista. “Sei como os homens falam uns com os outros e como raciocinam. Sei que preciso falar em termos de valor comercial para chegar até eles.”

Muitos homens se “desconectam” quando ouvem palavras como patriarcado ou feminismo, disse. “Eles pensam imediatamente: ‘esta é uma pessoa que não entende nada sobre negócios’”.

Farberger diz que sua transição a tornou mais inclusiva. Ela busca diferentes pontos de vista antes de tomar uma decisão. Agora realiza menos reuniões com a gerência que terminam depois das 18h, porque isso impede jantares com a família.

“Os homens provavelmente verão isso apenas como o custo para fazer negócios, enquanto muitas mulheres verão isso como um preço muito alto por uma carreira”, disse.

Representação desigual

Nos meses seguintes à transição, mulheres se aproximavam dela com suas histórias. Ela soube de um caso de assédio sexual em um local de trabalho anterior. Questionada sobre por que a pessoa não a abordou antes, ela disse que ouviu o seguinte: “porque você era homem. Se eu tivesse contado a você cada vez que isso acontecia, eu teria me tornado o problema”.

Farberger diz que agora está mais ciente de quão poucas mulheres existem em posições de poder em empresas suecas. Um relatório recente da Allbright mostrou que apenas uma em cada dez empresas de capital aberto na Suécia é chefiada por uma mulher. Apenas 15% dos cargos operacionais do alto escalão - chefes de áreas de negócios - são ocupados por mulheres.

“É aí que você cria a cultura e onde as decisões são tomadas”, disse, acrescentando que “enquanto os homens forem os chefes das unidades de P&L (perdas e lucros) e as mulheres de RH e comunicação, você não alcançou nada”.

A comunidade empresarial da Suécia aceitou amplamente sua transformação, disse Farberger, observando que, embora tenha levantado algumas sobrancelhas, ela não teve feedback negativo.

“Ela obviamente tem uma perspectiva interessante sobre as coisas, mas, da minha perspectiva de negócios, eu a vejo como a mesma pessoa”, disse Marie Halling, CEO do ICA Bank, que é chefe de Farberger. “Eu diria que ela está mais confiante agora.”

(Corrige grafia de Farberger em legenda de segunda foto em artigo publicado em 30 de outubro).

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