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CEO de gestora minimiza riscos para fundos de pensão no Chile

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Políticos do Chile ameaçam acabar com seu negócio, mas um dos maiores gestores de fundos da América Latina continua otimista sobre os mercados no país.

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Ignacio Calle, CEO da Sura Asset Management, de Bogotá, que administra o terceiro maior fundo de pensão privado do Chile, diz que as propostas de candidatos à presidência da oposição para desmantelar o sistema de aposentadoria talvez não cheguem a lugar nenhum. E investidores estão pessimistas demais em relação ao país, que tem muitas oportunidades para serem aproveitadas, diz.

“Temos uma visão muito positiva para o futuro do Chile”, disse Calle em entrevista. “As condições para os investidores estrangeiros são boas.”

É uma visão surpreendentemente otimista sobre um país que já foi considerado símbolo de estabilidade e boa governança na América latina, mas que se tornou mais volátil em meio a protestos por causa da desigualdade e serviços precários. O desempenho dos mercados chilenos ficou aquém de outros países em desenvolvimento recentemente com a expectativa de vitória de um candidato de esquerda nas eleições presidenciais, incertezas sobre a redação na nova Constituição e depois que US$ 49 bilhões em saques antecipados de pensões, permitidos sob as medidas de alívio da pandemia, reduziram os recursos nas contas em pelo menos 20%.

Bancos de investimento estão divididos sobre quais são os riscos para o mercado acionário no Chile. Estrategistas do Bank of America e UBS reduziram a exposição às ações do país, citando crescente incerteza política, enquanto o JPMorgan Chase permanece neutro. A LarrainVial, de Santiago, disse que o mercado já precificou a fragilidade institucional do Chile, enquanto o BTG Pactual tem recomendação acima da média, ou overweight, pois os riscos estão embutidos nos atuais preços das ações.

O índice de referência S&P IPSA perdeu 6,9% nos últimos três meses em dólares, entre os 10 piores desempenhos do mundo durante esse período. O peso chileno se desvalorizou 8% em três meses, o pior resultado entre 31 moedas mais negociadas. Os rendimentos dos títulos denominados em pesos com vencimento em 2030 aumentaram quase 150 pontos-base desde junho.

Calle acha que grande parte da preocupação é exagerada. Os mercados continuaram a funcionar em muitos países, apesar da agitação social ou de governos de esquerda, aponta Calle.

E, embora vários candidatos à presidência, incluindo Gabriel Boric, o favorito para as eleições de novembro, tenham proposto substituir as pensões privadas do país por um sistema estatal, Calle acha que a ideia não irá em frente. Seria praticamente impossível devido aos pesados encargos fiscais e tributários necessários para que o estado assuma a responsabilidade, segundo Calle.

“Muitas vezes os candidatos são muito agressivos durante suas campanhas eleitorais, mas tendem a moderar os discursos quando chegam à presidência”, disse.

Em toda a região, a Sura tem cerca de US$ 147 bilhões em ativos sob gestão no Chile, Argentina, Colômbia, México, Peru, Uruguai e El Salvador, e espera terminar o ano com até US$ 162 bilhões, disse Calle. Cerca de 75% desses ativos correspondem às operações de pensões da Sura na região, com o restante em gestão de patrimônio e operações de investimento.

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