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CEO da Raízen diz que compra de unidades da Biosev teve "super desconto"

Roberto Samora e Marcelo Teixeira
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Por Roberto Samora e Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A aquisição de nove unidades processadoras de cana-de-açúcar da Biosev está sendo feita com um "super desconto" e faz "sentido estratégico para a Raízen, disse o CEO da joint venture da Cosan e Shell à Reuters.

Ricardo Mussa explicou que as usinas adquiridas das rival devem aumentar a flexibilidade de mudança de mix açúcar/etanol da Raízen, uma forte característica da Biosev.

Disse ainda que as unidades estão localizadas em áreas que não se sobrepõem aos ativos da Raízen, o que traz boas sinergias.

"Ela (Biosev) está vindo com um super desconto, está vindo com um valor relativo muito baixo, é uma oportunidade muito boa, eles (Biosev) estão melhorando muito operacionalmente, têm um problema mais financeiro do que operacional", disse o presidente da Raízen, citando que as usinas estão em áreas com bom clima e logística.

A transação envolverá pagamento de 3,6 bilhões de reais e ações, informaram as empresas em fatos relevantes. As unidades da Biosev virão sem dívidas.

Além disso, afirmou Mussa, as usinas se "encaixam muito bem no nosso perfil de expansão de renováveis", que pode incluir plantas novas de etanol de segunda geração e biogás.

"Eles abriram mão de um valor muito importante da companhia, o atrativo para Raízen foi ter um ativo que faz sentido estratégico e um valor muito baixo. E, para eles, estão com um belo sócio, ficaram na mão de uma empresa que vai conseguir extrair mais valor e resolve um problema histórico de dívida."

O CEO evitou estimar um valor para a Biosev.

Por outro lado, Mussa disse ter convicção de que os acionistas da Biosev olham para o futuro Raízen e veem algo "brilhante".

"Eles acham os 3,5% valem muito", disse o executivo, em referência à fatia que os acionistas da Biosev terão na Raízen.

Ele ressaltou que a transação foi desenhada para não piorar alavancagem da Raízen, uma vez que as unidades da Biosev serão adquiridas livres de dívida.

(Por Roberto Samora em São Paulo e Marcelo Teixeira em Nova York)