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Banqueiro nos EUA usava jato da empresa para 'atacar' de DJ

David Solomon, CEO do banco de investimentos Goldman Sachs (REUTERS/Mike Blake)
David Solomon, CEO do banco de investimentos Goldman Sachs (REUTERS/Mike Blake)
  • Uso indiscriminado do avião particular e má performance da empresa podem ser o fim para CEO;

  • David Solomon toca em eventos famosos, como o Lollapalooza;

  • Executivos e conselho administrativo se ressentem pela queda no valor da ação da empresa.

Quando David Solomon, CEO da Goldman Sachs, estava encerrando uma viagem de trabalho no final de julho, ele embarcou no avião particular da empresa, um Gulfstream G650, para Chicago.

Solomon, que atua como DJ de música eletrônica e já foi conhecido pelo apelido de D-Sol, tinha reuniões marcadas com clientes e funcionários do Goldman naquela sexta-feira. Mas à noite, ele trocou seu traje de escritório por uma camiseta preta, um visual mais condizente com seu próximo compromisso: um set no festival de música Lollapalooza.

Essas escapadas de Solomon para atuar em seu hobby tem preocupado o conselho da empresa, que vê com maus olhos o uso do avião particular e as aparições públicas do executivo. Em 2020 o CEO foi obrigado a se desculpar após se apresentar em um show em Nova York com o grupo The Chainsmokers, após ter sido sancionado pelo estado por desrespeitar os protocolos de COVID-19.

Solomon, que pratica suas habilidades de DJ aos domingos, e se apresenta menos de 10 vezes por ano, também estaria utilizando funcionários do banco de investimentos para o ajudar em seu trabalho paralelo. Executivos do departamento de comunicação do Goldman, por exemplo, têm opinado sobre os comunicados de imprensa anunciando a música de Solomon, enquanto membros da equipe de mídia social da empresa mantêm contato próximo com os da Payback Records, gravadora musical de Solomon, e Get Engaged Media, a empresa externa que lida com sua conta pessoal de mídia social.

O que era visto como uma leve distração em 2021, quando o preço das ações do Goldman chegava a US$ 426, tornou-se um grande aborrecimento agora que o papel caiu 16% no ano. Funcionários da empresa afirmam que o conselho anda preocupado que o CEO esteja muito focado em seus projetos pessoais em um momento em que partes do negócio estão com dificuldades.

Executivos e membros do conselho administrativo vem tendo problemas com a liderança de Solomon há um tempo. Segundo fontes internas, o CEO gosta de centralizar toda parte midiática em si, impedindo que outros sócios dêem entrevistas e contratando a nova diretora de comunicação a partir de desejos de notoriedade.

De acordo com os executivos, além dessas questões, o que pesa contra Solomon é o acordo com a McLaren. Em junho o Goldman assinou um acordo para ser o parceiro oficial da equipe de Fórmula 1, de modo a ajudar a montadora de automóveis a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Fontes ouvidas pela revista americana Business Insider afirmam que não veem sabedoria em apoiar uma indústria construída em combustíveis fósseis.

"O que todo mundo desgosta é o trabalho de DJ, o patrocínio da McLaren, e todas essas coisas chamativas", disse uma fonte do Goldman. "Você pode fazer isso se estiver atuando, mas ele não aumentou o valor contábil. A ação está perto de um ponto baixo."