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CEO da Chevron alerta para preços altos e escassez de energia

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os altos preços da energia podem representar um desafio global no futuro próximo, já que empresas de petróleo e gás natural resistem em perfurar novos poços, segundo o diretor-presidente da Chevron.

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“Existem coisas interferindo nos sinais do mercado agora que não víamos antes. No fim, as coisas funcionarão, mas podem demorar muito”, disse o CEO Mike Wirth na quarta-feira em entrevista na sede da Bloomberg News, em Nova York. Ele espera preços fortes para o gás, gás natural liquefeito e petróleo pelo menos “por enquanto”, sem especificar um prazo.

Embora os preços do petróleo e do gás tenham subido este ano com a recuperação global do impacto da pandemia de Covid-19, grandes produtores relutam em investir em novos projetos, uma mudança de comportamento em relação a períodos anteriores de ganhos. Isso levanta dúvidas sobre escassez. A Europa já enfrenta a pior crise de gás natural em décadas, e os preços na região subiram para níveis recordes mesmo antes do inverno, quando a demanda é normalmente mais forte.

Um dos motivos pelos quais os executivos têm receio de investir em novos suprimentos é que acionistas não se mostram dispostos a apoiar tais planos. Querem que o dinheiro seja devolvido imediatamente, em vez de reinvesti-lo em novos projetos. Embora os crescentes mercados de commodities “sinalizem que podemos investir mais”, os preços das ações enviam um sinal diferente às diretorias, disse Wirth.

“Há dois sinais que estou procurando e só vejo um deles” agora, disse o executivo. “Poderíamos investir mais. O mercado de ações não está enviando um sinal que devemos fazer isso.”

Alguns investidores não estão dispostos a apoiar novos projetos depois que empresas de petróleo e gás desperdiçaram bilhões de dólares em operações de baixo retorno na última década. Outros observam os sinais da mudança climática e tentam verificar se as empresas estão se adaptando com rapidez suficiente. Os riscos são reais: no início do ano, um tribunal holandês ordenou que a Royal Dutch Shell reduza as emissões de carbono em 45% até 2030, e a Exxon Mobil teve que recuar em um plano de expansão ambicioso em meio à Covid-19 e protestos de acionistas.

“Temos uma dinâmica realmente nova, seja de política governamental, esforços para restringir capital ao setor, para dificultar o acesso do setor aos mercados de capitais”, disse Wirth. “Isso, no curto prazo, pode criar algum risco para a economia global.”

A Chevron, segunda maior petroleira ocidental, não pretende remar contra a maré e explorar novos campos, apesar de ter a posição financeira mais forte entre rivais. A empresa reduziu investimentos em quase 30% no ano passado e, excepcionalmente, prometeu mantê-los em níveis baixos até 2025. Um anúncio no início da semana para elevar gastos em tecnologias de transição energética reverte apenas uma parte desses cortes.

Quando novos projetos chegam à mesa, suas emissões futuras são “uma grande parte do nosso processo de tomada de decisão”, disse Wirth. A Chevron se comprometeu a reduzir a intensidade de suas emissões progressivamente nas próximas décadas, sugerindo que as operações com alto teor de carbono, como areias betuminosas, podem ter mais dificuldade para receber o sinal verde.

Pode haver algum alívio para os preços do petróleo, pelo menos no curto prazo. A capacidade da Opep de repor barris retirados do mercado ajudará a estabilizar as cotações nos próximos meses, disse o executivo. Mas, com a produção extremamente limitada fora do cartel, os preços de médio prazo podem permanecer fortes, acrescentou. Os produtores de gás de xisto, que mantiveram os preços sob controle durante grande parte da última década com altos volumes de petróleo, agora estão mais focados em colher lucros do que na perfuração de novos poços.

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