Mercado fechado

CEO da Activision Blizzard considera renunciar caso assédios continuem

·3 min de leitura

O CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick, afirmou em uma reunião com executivos que irá considerar renunciar ao cargo apenas se não conseguir resolver os problemas de assédio e discriminação sexual da empresa "rapidamente". No momento, sua saída não é uma opção.

A informação é do The Wall Street Journal, que revelou na semana passada que o executivo estava a par dos escândalos e interviu para não demitir um homem acusado de estupro. Kotick também teria ameaçado mulheres, inclusive de morte. A assessoria de imprensa nega os relatos.

CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick fez vista grossa para assédio e discriminação sexual, diz jornal (Foto: Steven Simko/Wikimedia Commons)
CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick fez vista grossa para assédio e discriminação sexual, diz jornal (Foto: Steven Simko/Wikimedia Commons)

Durante a reunião, executivos da Activision Blizzard teriam reforçado que os funcionários não ficariam satisfeitos até a renúncia de Kotick. Ele se desculpou pela situação e disse estar envergonhado por alguns incidentes que ocorreram em seus mais de 30 anos de gestão.

A apuração do jornal revelou também que a diretoria do estúdio está considerando criar um “comitê de excelência no local de trabalho”, um grupo que inspecionaria os avanços na cultura de trabalho — relembre todos os tópicos aqui. Não há planos para investigar Kotick especificamente.

Funcionários fizeram greve e petição

Na terça-feira (16), dia em que o jornal publicou novas informações sobre Bobby Kotick, um grupo de funcionários autointitulado ABetterABK (Uma melhor Activision Blizzard King, em tradução livre) organizou uma greve em frente à sede da companhia. Segundo o desenvolvedor da Blizzard, Valentine Powell, pelo menos 150 pessoas participaram presencialmente, e outras 90 digitalmente.

Essa é a segunda greve registrada desde julho, quando a empresa foi processada pelo Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Esse foi o estopim para o surgimento de outras denúncias e a mobilização dos funcionários.

Registro da greve do dia 28 de julho (Foto: Reprodução/Redes sociais/Jonny Peltz)
Registro da greve do dia 28 de julho (Foto: Reprodução/Redes sociais/Jonny Peltz)

O grupo também postou um abaixo-assinado pedindo a renúncia de Kotick. Até a publicação desta reportagem, 1.700 funcionários assinaram a petição. O texto diz o seguinte:

"As informações que surgiram sobre seus comportamentos e práticas na gestão de nossas empresas vão contra a cultura e à integridade que exigimos de nossa liderança — e conflitam diretamente com as iniciativas iniciadas por nossos pares.”

Outra petição, aberta ao público através do site change.org, já conta com mais de 23 mil assinaturas desde a publicação desta matéria.

Apesar de tudo, o conselho da Activision Blizzard continua apoiando Kotick na presidência. Apenas um pequeno grupo de acionistas, que detém cerca de 4,8 milhões de ações da empresa, pediu a renúncia de Kotick antes do final de 2021.

Lideranças do PlayStation e do Xbox também reagiram

O CEO e presidente da Sony Interactive Entertainment, Jim Ryan, escreveu em um e-mail aos funcionários que ele e seu superior estavam “desanimados e francamente chocados ao ler” sobre a incompetência da Activision em lidar com uma “cultura profundamente radicada de discriminação e assédio”.

Phil Spencer, responsável pela divisão de games da Microsoft, afirmou que está “reavaliando todos os aspectos do relacionamento com a Activision Blizzard e fazendo ajustes proativos contínuos”.

O The Wall Street Journal entrou em contato com a Activision Blizzard, mas não obteve retorno.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos