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Censura em Hong Kong: TikTok suspende aplicativo, gigantes americanos resistem

Por Karl MALAKUNAS, Jerome TAYLOR
A rede social TikTok é sensação entre adolescentes de todo o mundo

Os crescentes poderes para censurar a Internet em Hong Kong, com base na nova lei do governo chinês, geram uma rejeição entre os gigantes americanos das redes sociais e provocaram a suspensão da plataforma chinesa TikTok na ex-colônia britânica.

"À luz dos acontecimentos recentes, decidimos suspender o aplicativo TikTok em Hong Kong", disse um porta-voz do grupo chinês ByteDance à AFP.

A empresa sempre negou compartilhar os dados dos usuários com as autoridades chinesas e afirmou que não tem a intenção de fazer isto.

Na segunda-feira, Facebook, Google e Twitter anunciaram que pararam de responder aos pedidos do governo e das autoridades de Hong Kong sobre informações de seus usuários.

"Pensamos que a liberdade de expressão é um direito humano fundamental e apoiamos o direito das pessoas de se expressarem sem medo por sua segurança e sem medo de outras repercussões", afirmou um porta-voz do Facebook.

Twitter e Google informaram à AFP que também não responderiam a pedidos das autoridades Hong Kong no futuro imediato.

Ao mesmo tempo, um documento de 116 páginas foi publicado pelo governo local e amplia os poderes da polícia em termos de segurança e vigilância, com base na nova lei de segurança nacional aprovada no fim de junho.

A lei pretende reprimir crimes de quatro categorias: subversão, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

- Medidas "orwellianas" -

Os dispositivos provocam o temor de uma mudança radical para Hong Kong em termos de liberdades e direitos.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, criticou as medidas "orwellianas" da China para a censura de ativistas, escolas e bibliotecas de Hong Kong com base na nova lei.

De acordo com vários países ocidentais, a lei de segurança chinesa representa uma violação da autonomia de Hong Kong, que retornou em 1997 à soberania chinesa após um acordo que previa para o território autonomia judicial e legislativa durante 50 anos.

Este regime, denominado "Um país, dois sistemas", deve seguir vigente, portanto, até 2047.

Com o passar dos anos, porém, parte da população constatou uma erosão constante de suas liberdades e uma crescente influência política da China no território.

Um movimento pró-democracia adquiriu uma grande dimensão e resultou, ano passado, em uma crise política, após sete meses de grandes manifestações - algumas delas violentas.

A China promulgou a nova lei de segurança para acabar com o movimento.

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, afirmou nesta terça-feira que o governo implementará "rigorosamente" a lei e fez uma advertência aos opositores "radicais".

"O governo de Hong Kong implementará rigorosamente a lei. E alerto os radicais que não tentem violar esta lei, ou atravessar as linhas vermelhas, porque as consequências serão muito sérias", disse ela, uma governante pró-Pequim.

Além disso, as autoridades de Hong Kong ordenaram às escolas que retirem os livros das salas para uma revisão com base na nova lei, que criminaliza opiniões como os pedidos de independência, ou de autonomia.

Algumas livrarias de Hong Kong anunciaram a retirada de títulos escritos por ativistas pró-democracia.

A polícia também poderá controlar e suprimir qualquer informação da Internet, caso existam "motivos razoáveis" para pensar que viola a lei de segurança nacional.

Desde que a nova lei entrou em vigor, na semana passada, vários cidadãos de Hong Kong apagaram as "pegadas" de seu ativismo pró-democracia on-line.