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Dois anos depois, o que aconteceu com a onda que estourou em 2018?

Matheus Pichonelli
·4 minuto de leitura
Supporters of Jair Bolsonaro, far-right lawmaker and presidential candidate of the Social Liberal Party (PSL), react after Bolsonaro wins the presidential race, in Brasilia, Brazil October 28, 2018.  The sign reads: 'Today a new Brazil is reborn'.  REUTERS/Adriano Machado
Apoiadores de Jair Bolsonaro comemoram resultado das eleições em 2018. Adriano Machado/Reuters

Política, quem diria, já não é mais palavrão.

Na campanha de Bruno Covas (PSDB), o candidato à reeleição em São Paulo não esconde que sempre foi político, vive da política, gosta do que faz e o que faz é um ofício como qualquer outro. Nem parece que até outro dia era vice numa chapa liderada por quem se definia como empresário e jornalista, um gestor capaz de levar ao serviço público a lógica da iniciativa privada e enterrar os ossos da chamada política tradicional -- um fantasma que perambulou até chegar a 2018 numa onda “contra tudo isso que está aí”. Essa onda arrebentou com Jair Bolsonaro à porta do Alvorada.

Com ele foram trazidos à praia governadores que até a véspera eram corpos estranhos à política, como Romeu Zema (Novo-MG), Wilson Witzel (PSC-RJ) e Carlos Moisés (PSL-SC). Witzel e Moisés foram afastados após controversos processos de impeachment.

Em 2020, ao que tudo indica, velhos rostos e sobrenomes conhecidos dos eleitores têm mais chance de serem eleitos do que as novidades.

No Rio, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) lidera a disputa. Campos, Arraes e Mendonça são os sobrenomes que dominam a corrida em Recife.

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Em Salvador, o candidato apoiado pelo atual prefeito, ACM Neto, tem chance de vencer no primeiro turno.

Em Belo Horizonte, o atleticano Alexandre Kalil (PSD), candidato à reeleição, deve somar mais pontos nas urnas do que sua equipe no Campeonato Brasileiro.

Mesmo em Porto Alegre, Manuela D'ávila (PCdoB), líder nas pesquisas, já não é a novata de outras campanhas. Chega com currículo de deputada e de candidata a vice-presidente em 2018.

Prestou atenção em uma coisa?

Nenhum dos favoritos citados nas maiores cidades do país leva a sigla PSL nas costas. A legenda, que elegeu a maior bancada de deputados em 2018 na onda do seu candidato a presidente, Jair Bolsonaro, chegou às disputas municipais com candidatos turbinados por muito dinheiro e, segundo as projeções, poucos votos. Inclusive na capital Pernambucana, terra do presidente da sigla, Luciano Bivar.

Joice Hasselmann (SP), Luiz Lima (RJ) e Carlos Andrade Lima (PE) são alguns dos postulantes que chegam à reta final da disputa com baixíssimas, quase vergonhosas, projeções de votos.

A ironia é que o primeiro turno das eleições, em 15 de novembro, ocorre quase um ano depois de Jair Bolsonaro assinar a desfiliação da legenda. Foi em 19 de novembro de 2019 que as disputas internas, com vistas aos fundos milionários que a grande bancada ajudou a garantir, levaram cada um a seguiu o seu caminho.

Bolsonaro projetou gigantismo numa certa Aliança pelo Brasil, que tinha até ônibus e campanha por filiação mas não saiu do papel.

Brigados com o PSL, dois de seus filhos migraram para o Republicanos, legenda dos candidatos apoiados pelo presidente no Rio e em São Paulo. Marcelo Crivella e Celso Russomanno perigam, porém, não chegar sequer ao segundo turno. Este último já mandou zagueiro para a área, no desespero para abafar pesquisas que o mostram mal na foto e com pegadinha-fake-news com o adversário Guilerme Boulos (PSOL).

No auge da crise entre bolsonaristas e pesselistas, o então líder do partido na Câmara, deputado Delegado Waldir (GO), ameaçou, em outubro passado, “implodir” o presidente, chamado por ele de “vagabundo”, com um áudio em que o capitão se metia numa disputa por cargos em favor de seu filho Eduardo.

O áudio era um traque, embora constrangedor. E quem acabou implodido foi o próprio PSL, que viu sua bancada encolher na debandada. Os resultados das desavenças são colhidos agora.

Bolsonaro não foi implodido, mas se enfraqueceu desde então e agora tem nas disputas municipais um teste de sua força para 2022.

Dois anos antes, o PSL era a legenda preferencial de aventureiros que viram na crise política e no cenário de devastação do Brasil pós-Lava Jato a chance de virar gente grande. O fracasso desenhado nas urnas mostra que a conversa já não cola.

Não só pelas brigas intestinas de quem prometia acabar com a boquinha -- dos outros.

No meio do caminho havia uma pandemia, e ela colocou em teste a capacidade de gestão de quem demonizava a classe política sem ter exatamente um plano para colocar no lugar. Numa disputa municipal, é mais importante demonstrar conhecimento da cidade, dos bueiros e das inundações, do que desfilar com os pilares da chamada guerra cultural.

Traumatizado pelo coronavírus, a crise e o despreparo de seu líder maior, o eleitor, mais precavido, tem demonstrado, ao menos nas pesquisas, que prefere apostar em nomes já testados em vez de arriscar.

O resultado de domingo vai indicar se o tsunami de 2018 virou marola ou terá força suficiente para Bolsonaro e o PSL, recém-divorciados, chegarem inteiros até a praia de 2022.