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Cenário para preço de grãos ganha força no Brasil após dados do USDA, diz Itaú BBA

·2 minutos de leitura

SÃO PAULO (Reuters) - O cenário para os preços dos grãos no mercado brasileiro ganhou mais força após o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontar estoques norte-americanos inferiores às expectativas, avaliou nesta quarta-feira o gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA.

O USDA informou nesta quarta-feira que os estoques de soja dos EUA somavam 523 milhões de bushels em 1º de setembro, as reservas de milho, 1,995 bilhão de bushels, e as trigo figuravam em 2,159 bilhões de bushels --nas três commodities, os volumes vieram abaixo das projeções.

"Veio um número que acabou surpreendendo o mercado... isso acaba tendo como consequência uma perspectiva de estoques de passagem para 2020/21 menores nos EUA, reduziu o conforto do balanço norte-americano, isso acabou abrindo espaço para altas nas cotações", disse Guilherme Bellotti, à Reuters.

Os contratos futuros de milho, soja e trigo negociados na bolsa de Chicago dispararam nesta quarta-feira.

Para o Brasil, a situação nos EUA permite fortalecimento de preços porque as altas na bolsa de Chicago puxam para cima as paridades de exportação.

Isso, combinado com a taxa de câmbio, representa impulso adicional para as cotações do mercado brasileiro, comentou o consultor.

"Quem tem soja, tem ouro", afirmou ele, em referência aos baixos estoques da oleaginosa, após um ano de forte demanda externa e interna, que reduziu expressivamente os estoques.

Os preços da soja no Brasil estão próximos aos maiores patamares da história, sendo cotados no porto de Paranaguá perto de 150 reais a saca. Isso se reflete nos derivados, com o óleo no maior nível em quase 18 anos.

No caso do milho, a realidade é semelhante, mais há mais disponibilidade, comentou ele, lembrando da segunda safra recém-colhida.

"Pode abrir espaço para aumentar as exportações, o fato é que o mercado doméstico está comprando bastante, o resultado é preço bastante alto no Brasil", disse Bellotti, ao ser questionado se as vendas externas do cereal poderiam surpreender, diante da situação relatada nos EUA.

(Por Roberto Samora)