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Celulares usados pelo FBI para espionar bandidos aparecem em revendas nos EUA

·2 minuto de leitura

Uma grande operação conduzida pelo FBI contra criminosos internacionais vem trazendo consequências para pessoas que não eram alvo da investigação. Segundo a Motherboard, aparelhos com a privacidade comprometida que foram comercializados para os bandidos estão começando a chegar ao mercado de usados dos Estados Unidos, onde são comprados por consumidores comuns.

Entre os elementos que diferenciam os celulares — geralmente os modelos Pixel 4a e Pixel 3a do Google — está a presença do comunicador conhecido como Anom. Prometendo criptografia em todas as etapas de comunicação, o app traz um backdoor que foi usado para coletar mais de 27 milhões de mensagens e 450 mil fotografias, que ajudaram na prisão de mais de 800 pessoas.

Os dispositivos modificados pelo FBI não rodam o Android puro, mas sim uma versão modificada conhecida como ArcaneOS. O sistema operacional tem origem desconhecida e parece servir somente como uma forma de despistar observadores — o visual é de um celular Android comum, mas nenhum aplicativo instalado funciona quando o usuário seleciona os ícones.

Imagem: Reprodução/Motherboard
Imagem: Reprodução/Motherboard

Isso não significa que eles não possuem nenhuma utilidade: ao resetar o dispositivo e inserir um código PIN específico, a tela inicial é exibida novamente. A partir desse ambiente, basta iniciar o aplicativo de calculadora para passar a usar o comunicador Anom. Não há nenhuma das configurações e recursos normais esperadas de um dispositivo do tipo, mas é possível apagá-lo totalmente após usar um atalho representado por um triturador de papel.

Aparência feita para enganar

Segundo a Motherboard, o celular obtido por ela traz uma lista de contatos idêntica à de um vídeo fornecido ao veículo por uma pessoa da Lituânia que também obteve um aparelho. No geral, ele se parece muito com os produtos que seriam vendidos por empresas de segurança legítimas — o que era o objetivo do FBI, que se comportou durante as investigações exatamente da mesma forma que um criminoso agiria para conquistar a confiança de seus alvos.

A operação baseada no Anom foi responsável por distribuir mais de 11,8 mil aparelhos modificados através de mais de 100 países. A grande quantidade de unidades empregadas explica o motivo de elas estarem surgindo em revendas, especialmente levando em consideração que nem todas necessariamente foram usadas conforme o esperado pela agência.

Fonte: Canaltech

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