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Celso de Mello prorroga por 30 dias inquérito contra Bolsonaro

Luísa Martins

Polícia Federal apura acusação de que o presidente interferiu na autonomia da instituição O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu mais 30 dias de prazo para que a Polícia Federal (PF) conclua as diligências no inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na autonomia da corporação.

O pedido de prorrogação havia sido feito pela delegada Christiane Machado, responsável pelo inquérito, com concordância do procurador-geral da República, Augusto Aras. Entre as investigações pendentes está a tomada de depoimento do próprio Bolsonaro, o que deve ocorrer por escrito.

O decano disse haver "fundamentadas razões" para adiar por mais um mês a conclusão das investigações, abertas a partir das declarações proferidas pelo ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) na ocasião de sua demissão.

Até agora, a PF ouviu uma série de testemunhas - como o próprio Moro, ministros da ala militar do governo e delegados da sede da corporação em Brasília e da superintendência do Rio de Janeiro, cujo comando Bolsonaro supostamente desejava trocar.

Moro sustenta a tese de que o presidente queria fazer mudanças na chefia da superintendência fluminense para evitar cerco a seus filhos - o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) é investigado no Rio por um suposto esquema de desvios de salários na Assembleia Legislativa, quando era deputado estadual.

Contudo, Bolsonaro diz que, na verdade, queria mudar a equipe responsável pela sua segurança pessoal. Segundo fontes a par do inquérito ouvidas pelo Valor, os investigadores estranharam a explicação, pois essa é uma atribuição do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Outra diligência já feita é a transcrição, análise e divulgação da íntegra do vídeo da reunião interministerial de 22 de abril, no Palácio do Planalto, em que Bolsonaro reclamou de não ter acesso a relatórios de inteligência da PF.

O ministro Celso de Mello autorizou a prorrogação do inquérito contra Bolsonaro

Nelson Jr./SCO/STF