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CBF rompe pacto e vota em candidatura derrotada

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CBF rompe pacto e vota em candidatura derrotada

FÁBIO ALEIXO, CAMILA MATTOSO E SÉRGIO RANGEL

MOSCOU E SOCHI, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - A CBF quebrou o acordo fechado entre os dez membros da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) de votarem em bloco na candidatura conjunta de Canadá, Estados Unidos e México para a Copa de 2026. O Brasil votou em Marrocos, derrotado na eleição.

O apoio unânime da entidade sul-americana havia sido anunciado após a reunião do conselho da entidade na última segunda-feira (11) em um hotel da capital russa.

"Não fui eu que votei. Dei para um de nossos delegados votar. Mas eu votaria mesmo no Marrocos. Ainda não teve Copa do Mundo lá, era uma chance para eles", disse o presidente da CBF, Coronel Nunes, 80.

"Por que não escolher o Marrocos e dar para Estados Unidos onde já teve uma Copa e para o México que vai para a terceira?", completou.

Cesarino Oliveira, delegado brasileiro no Congresso da Fifa em Moscou, negou a versão dada à Folha pelo presidente da CBF. De acordo com Cesarino, que é presidente da federação do Piauí, o coronel foi quem deu o voto para o país.

"Ele votou errado. Estávamos alinhados para votar nos EUA, mas ele se enganou", disse o dirigente, por telefone.

Um dia antes, após acompanhar o primeiro treino da seleção brasileira na Rússia, Nunes disse a jornalistas que as confederações ligadas à Conmebol tinham decidido por unanimidade votar na candidatura americana e que o Brasil seguiria o "pacto".

Além de Cesarino, o pernambucano Evandro Carvalho e o coronel eram os delegados brasileiros no evento.

A passagem de Nunes no comando da entidade será breve, até abril. O cartola paraense assumiu o cargo há dois meses, depois de a Fifa banir o então presidente Marco Polo Del Nero, considerado culpado por suborno e corrupção.

A gafe pode atrapalhar os planos da CBF de se aproximar da cúpula da Fifa. O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, é o responsável por estreitar as relações.

A escolha da CBF não foi bem assimilada pela candidatura da América do Norte.

"Foi uma surpresa, mas respeitamos as decisões que são tomadas de forma individual. Não estamos preocupados em quem não votou em nós", disse Carlos Cordeiro, presidente da federação americana de futebol e um dos chefes da candidatura vencedora.

Decio di Maria, presidente da federação mexicana, alfinetou na CBF. "Significa que temos que fazer um melhor trabalho para que daqui a oito anos o Brasil faça um comunicado e diga que tira o chapéu", disse.