Mercado fechará em 7 hs

Bolsas de NY operam em queda e caminham para pior semana desde março

Gabriel Roca e André Mizutani
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Resultados das gigantes do setor são recebidos de forma distinta, enquanto investidores mantêm no radar avanço dos casos de covid e eleição presidencial Os índices acionários em Nova York registram mais uma sessão de perdas e caminham para encerrar a pior semana desde março, durante o auge do estresse provocado pela pandemia de covid-19 nos mercados financeiros. Por volta de 13h30, o Dow Jones recuava 0,91%, aos 26.416,24 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 1,23%, aos 3.269,43 pontos. O índice eletrônico Nasdaq caía 2,13%, aos 10.947,00 pontos. No acumulado semanal, os índices registram desvalorização de 6,73%, 5,65% e 5,21%, respectivamente, marcando a pior semana em Wall Street desde o período encerrado em 20 de março. A queda desta sexta-feira é puxada pelas ações das gigantes de tecnologia, mesmo após terem reportado resultados acima das expectativas dos investidores ontem. A Apple recua 5,09%, a Amazon perde 4,39% e o Facebook cai 5,50%. ‘Big Techs’ aumentam receita com mudança de comportamento na pandemia Todos os onze índices setoriais do S&P 500 operam em queda hoje, com destaque negativo para os segmentos de tecnologia e de consumo discricionário. Os índices acionários em Nova York já iniciaram esta sexta-feira em queda, refletindo a cautela persistente que predominou nos mercados ao longo da semana. Além dos balanços, divulgados após o fechamento do pregão de ontem, estão no radar dos investidores o aumento acelerado dos casos de covid-19 nos Estados Unidos e a proximidade da eleição presidencial americana. Mark Lennihan/AP A Apple reportou uma receita recorde de US$ 64,7 bilhões, mas investidores receberam mal a queda na venda de iPhones e o fato de a companhia não ter divulgado projeções, em meio às incertezas provocadas pela pandemia. A Amazon reportou que os lucros triplicaram no terceiro trimestre, para US$ 6,3 bilhões, mas os agentes financeiros demonstram frustração com as projeções de receita para o quarto trimestre. O Facebook reportou uma alta de 29% nos lucros do terceiro trimestre. Os papéis do Twitter são especialmente castigados, em queda de 20%, mesmo depois de a companhia ter reportado lucros acima do esperado. Os investidores se concentram no alerta da empresa de que o comportamento dos anúncios publicitários pode ser imprevisível antes da eleição. Segundo o chefe de pesquisa da London Capital Group, Jasper Lawler, os grandes nomes da tecnologia vinham impulsionado todos os ganhos do mercado de ações nos últimos meses, com a ideia de que seus desempenhos também eram imunes - ou mesmo beneficiados - pela pandemia. "Os lucros superaram as expectativas, mas, ao carregar todo o peso do mercado, as ações de tecnologia estavam precificadas à perfeição", afirmou. A dinâmica segue a lógica da atual temporada de balanços corporativos, em que as empresas que superam as estimativas de lucros não são recompensadas com ganhos no preço das ações, já que a atenção dos investidores está voltada às eleições e à pandemia de covid-19. Na contramão, as ações da Alphabet disparam 4,71% após a companhia ter reportado uma alta de 59% nos lucros do terceiro trimestre, a US$ 11,25 bilhões. A pandemia continua avançando nos Estados Unidos. O país está prestes a registrar 100 mil novos casos hoje, pela primeira vez, segundo o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Ian Shepherdson. "Infelizmente, isso não será um evento único; esperamos mais 100 mil amanhã também. No fim da próxima semana, os novos casos diários provavelmente estarão acima dos 100 mil todos os dias", afirmou. Nesta semana, o avanço rápido da pandemia de covid-19 na Europa culminou na adoção de novas medidas de restrição à atividade econômica por autoridades do continente. O fato provocou pânico nas bolsas globais na quarta-feira, impulsionando a volatilidade a níveis não vistos em meses. Há o temor de que o descontrole da crise sanitária ameace a recuperação rápida que vinha ocorrendo na economia global durante o terceiro trimestre. Hoje, na Europa, o dado do Produto Interno Bruto (PIB) indicou um crescimento de 12,7% no terceiro trimestre, superando a expectativa de consenso, de alta de 9,4%. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse ontem, porém, que espera uma desaceleração significativa no quarto trimestre, mesmo se houvesse uma surpresa positiva nos dados de hoje.