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'Catálogo de Quebrada' divulga opções de presentes de Natal feito por empreendedores periféricos

·5 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Roupas, plantas e planners são algumas das opções de presentes de Natal divulgadas no "Catálogo de Quebrada", publicação que chega à sexta edição neste mês de dezembro. O projeto divulga os produtos de 80 empreendedores (dos quais 76 são mulheres) das periferias de São Paulo, com o objetivo de incentivar o comércio local na época de maior consumo do ano.

O catálogo, disponível online, foi criado pela Bora Lá, que se define como uma agência de comunicação e marketing popular. "A gente enquanto quebrada não pensava comunicação como algo essencial, algo para o negócio seguir adiante. Você tem que mostrar para a comunidade, para a quebrada, o que você está fazendo", conta Ju Dias, 40, presidente-executiva do Bora Lá.

Criada no Jardim Vera Cruz, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, e formada em propaganda e marketing, Ju trabalhou por anos em multinacionais, até ser demitida em 2016 e resolver investir no próprio negócio.

Na época, ela vivia no centro e voltou a morar com a mãe na zona sul. "Nesse voltar eu redescobri uma quebrada que não tinha tido acesso até então. Comecei a ir nos saraus, conhecer lideranças, os movimentos sociais que são muito fortes", relembra. "Aí em 2017, decido que não quero mais arrumar trampo para fora, minha vida toda foi isso. Vou trabalhar por conta", decidiu.

Foi assim que surgiu o Bora Lá. A empresa oferece serviços de design, estratégia de comunicação e social media para outros negócios das periferias. Nesses cinco anos de existência, a agência já atendeu mais de 160 clientes.

No caso do "Catálogo de Quebrada", a ideia surgiu em 2020, quando a agência já não tinha tantos trabalhos quanto antes por conta da pandemia, mas ao mesmo tempo tinha a mesma necessidade de continuar fortalecendo o comércio local.

"Fiquei pensando no que poderia somar. Me coloquei à disposição de fazer alguns trampos, de divulgar nas redes as informações produzidas por mídias locais, e a partir daí começou a desenrolar um negócio que deu origem ao catálogo", conta Ju.

A situação financeira da irmã dela, Josiane, esteve presente no desenvolvimento da ideia do projeto. Jo, como é conhecida no bairro, faz ovos de páscoa há mais de 12 anos e, no começo da pandemia, a venda desse produto por moradoras das periferias foi afetada.

"Teve a questão de as encomendas diminuírem e ela ficou sem vender. Outras manas em grupos de empreendedorismo de que participo também estavam falando disso", relembra Ju.

"Eu falei de fazer artes gratuitas para quem tiver precisando divulgar o trabalho imediatamente. Nisso pensei que podia pegar essas mulheres, juntar, fazer uma arte para cada uma, salvar em um PDF e disparar para a nossa rede, divulgar de forma coletiva".

A primeira edição do catálogo contou com 16 empreendedoras, a maioria da zona sul da capital, que se inscreveram de forma gratuita a partir de um formulário online. Desde então foram publicadas seis edições, sempre em datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Pais e Natal.

Elaine Souza, 48, é uma das empreendedoras que têm o trabalho divulgado pelo projeto desde a primeira edição. Moradora da Vila Prudente, na zona leste, ela trocou o meio jurídico para se aventurar na gastronomia.

A empresa dela, o Batuque na Cozinha, trabalha com montagem de mesas para eventos corporativos, como coffee breaks e confraternizações. "Antes era só pra fazer uma graninha, mas se tornou minha profissão de verdade, me profissionalizei", conta Elaine.

A última venda que ela conseguiu fazer por meio do Catálogo de Quebrada foi na edição de Páscoa deste ano, quando uma mulher na França encontrou a página dela e fez uma encomenda de chocolates para os familiares em São Paulo.

"Foi bem legal, a pessoa estar lá no outro lado do mundo, ver pela foto e confiar que você vai fazer uma coisa bacana, que você estará representando ela. O chocolate tinha que chegar com toda demonstração de afeto, em forma de sabor, de apresentação".

Ainda que não tenha tido nenhuma venda na edição seguinte, a de Dia das Mães, e na atual, Elaine afirma que a visibilidade que a empresa recebe por meio do catálogo é tão importante quanto o retorno financeiro.

"Se eu não vender hoje, eu estou sendo vista e posso ser lembrada em outra hora ou ocasião. Para mim, é tudo consequência", conta.

Segundo a Bora Lá, 43 dos 57 negócios inscritos para a edição de Dia das Mães deram esse retorno sobre a campanha. Quinze reportaram ter vendido algum produto, e apenas dois negócios afirmaram não ter ganhado nenhum seguidor em seu perfil nas redes sociais após a divulgação.

Já Andressa Catarine, 34, está divulgando a empresa dela no catálogo pela primeira vez nesta edição de Natal. Moradora de Cangaíba, na zona leste, ela é analista de processos de TI (Tecnologia da Informação) e toca junto com o noivo a Ayo Black, uma marca de moda e acessórios sustentáveis.

A história dela é semelhante às de Ju e Elaine. Após sair de um emprego formal por volta de 2017, ela apostou no empreendedorismo, primeiramente com a revenda de lingeries plus size e depois com venda de camisetas estampadas.

"Desde então eu fui me especializando tanto em empreendedorismo como em costura, e hoje toda a parte de costura, compra de tecidos, modelagem, design da Ayo é feita por mim", explica Andressa, que se diz admiradora do projeto do Catálogo.

"É uma forma de comércio que só vemos sendo utilizada por algumas empresas grandes do mercado, trazer isso para a periferia é uma ideia muito legal".

Andressa e a Ayo Black representam bem o perfil de empreendedor presente na publicação. A atual edição do Catálogo conta com 76 mulheres entre os 80 divulgados, e 69,5% dos empreendedores se identificaram como pretos, negros ou pardos.

Segundo Ju Dias, a ideia é fazer mais edições do Catálogo em 2022, mesmo que a pandemia se afrouxe e a cidade volte a ter as feiras de economia solidária.

"Seria muito legal a gente conseguir construir um site, onde você conseguisse filtrar por bairro, mas sem venda direta. A ideia é muito bacana, tem essa força de divulgar de forma coletiva, de ser um projeto coletivo, de não cobrar taxa de venda", projeta Ju.

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