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Casos de coronavírus confirmados no Brasil sobem para 13

Rafael Bitencourt

Entre ontem e hoje, o número de casos suspeitos de infecção subiu de 636 para 768 O Ministério da Saúde informou hoje que o Brasil registra 13 casos de infecção pelo novo coronavírus (covid-19), conforme indicou a plataforma de informação disponibilizada no site do órgão. Até ontem, eram oito casos confirmados.

O Estado de São Paulo tem a maior dos casos, 10. Os outros três são do Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo.

Os casos descartados, após exame laboratorial, são de 480, sendo que 189 foram registrados no Estado de São Paulo.

Entre ontem e hoje, o número de casos suspeitos de infecção subiu de 636 para 768 e o de descartados passou de 378 para 480. A maior parte está concentrada em São Paulo (222), seguido de Rio Grande do Sul (112) e Rio de Janeiro (111).

Com a transmissão do novo coronavírus em 36 países, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou hoje que deixará seguir, a partir de agora, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre monitoramento de viajantes que vem desses locais.

“Como a gente tem um painel enorme de países, não dá para fazer o acompanhamento de país a país para saber a chance de contaminação”, afirmou.

Mandetta disse que os sistema de saúde passará acompanhar pessoas que apresentarem sintomas de infecção respiratória vindas da Europa, da América do Norte e da Ásia. Para as pessoas que chegarem de países da América do Sul e África, serão seguidos os procedimentos normais.

“Você pode estar sentado num voo, mas não sabe quem está à frente, do lado ou atrás. Então, a gente não vai mais pedir que essas façam [o acompanhamento] por nexo por país”, disse o ministro ao se referir ao risco de contaminação de pessoas de diferentes destinos que compartilham o mesmo voo.

Mandetta informou que 14 Estados recebem rotas internacionais, com o registro de 198 voos desse tipo por dia. Ao todo, são 43 mil pessoas que chegam por dia do exterior, sendo 30 mil brasileiros e 13 mil são estrangeiros.

Medidas

Mandetta afirmou que anunciará na segunda-feira algumas medidas de suporte ao sistema de saúde nos casos suspeitos e confirmados de novo coronavírus no Brasil.

Parte das medidas será tomada para evitar que pessoas com sintomas de infecção respiratória sobrecarreguem o sistema de saúde e o aumentem o risco de transmissão da doença. Ele citou que o ministério deve reforçar a política de atenção primária e publicar a portaria prometida que regulamentará os procedimentos de isolamento domiciliar e quarentena.

“Agora, vamos para uma fase que pode demandar atendimentos”, afirmou.

Apesar do crescimento dos casos confirmados no país, o ministro disse que não há motivo para pânico da população. “A gente está vendo como é esse comportamento. Temos uma país continental, uma cidade populosa como São Paulo. Estamos nos preparando com todas as nossas possibilidades.”

De acordo com o ministro, São Paulo é o local mais provável para ter o registro de transmissão local comunitária — situação em que o vírus circula entre a população e não é possível rastrear os indivíduos transmissores. Por enquanto, maior parte foi de transmissão no país foi “importada”, pessoas infectadas em viagem ao exterior. Outras duas infecções ocorrem no país pelo contato com o paciente do primeiro caso confirmado (transmissão local, mas não comunitária).

“Lamento se acontecer em São Paulo, mas é onde temos uma musculatura mais forte para tomar as medidas que forem preciso”, disse Mandetta, que já em outras ocasiões elogiou a eficiência do sistema de saúde local.

Segundo Mandetta, já foram assinados os contratos de compra de insumos, como máscaras de proteção e, em breve, serão habilitadas as unidades de tratamento intensivo contratadas para reforçar os sistemas nos Estados. Ele voltou a dizer que países desenvolvidos anteciparam as compras dos insumos, zerando o estoque da indústria de países como o Brasil. “Máscaras que custavam R$ 0,10 estão custando R$ 2”, comentou.

Rio monitora 112

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro monitora atualmente 112 casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus no Estado.

Em nota, a secretaria detalhou que 52 são na capital; 15 em Niterói; seis em Barra Mansa; três em Angra dos Reis; três em Maricá; três em Petrópolis; dois em Duque de Caxias; dois em Mendes; dois em São Gonçalo; dois em Volta Redonda; e um caso cada nos municípios de Barra do Piraí; Belford Roxo; Itaboraí; Macaé; Nova Friburgo; Nova Iguaçu; Pinheiral; Resende; Rio das Flores; Teresópolis; e Valença.

Ontem, o órgão confirmou o primeiro caso da nova doença no Estado, uma mulher de 27 anos moradora de Barra Mansa, sul fluminense, recém-chegada de viagem à Europa.

Colaborou Alessandra Saraiva, do Rio

Imagem de microscópio do coronavírus (amarelo) feita no Rock Mountain Laboratories, do National Institute of Allergy and Infectious Diseases do EUA

NIAID-RML/AP