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Caso Saul Klein: Representante de vítimas de esquema acusa defesa de desqualifica-las

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Saul Klein, filho de fundador da Casas Bahia
Saul Klein, filho de fundador da Casas Bahia

Para Gabriela Souza, advogada que representa as 14 mulheres que denunciaram Saul Klein por estupro e aliciamento, a defesa do empresário tenta desqualificar as vítimas. Em nota divulgada à imprensa no último domingo, 27, ela compara a estratégia com o que foi feito em outros casos, como o de Marcius Melhem.

“Predadores são aqueles que cometem violências sexuais de forma reiterada, usando superioridade hierárquica (social, patrimonial, espiritual, etc) para cometer crimes sexuais e, através do seu "poder" operar o silenciamento das vítimas, normalmente com histórico de vida que as tornam vulneráveis aos ataques. Quando descobertos, tentam reverter a culpa para as sobreviventes, suas roupas, seus comportamentos”, diz a nota. O texto ainda complementa que “a culpa nunca é da vítima”.

Para Gabriela Souza, o caso mostra a “perversidade de um predador sexual que ostenta poder e dinheiro para cometer diversas violências de gênero”. Segundo a advogada, as vítimas repudiam o argumento da defesa de que Klein era um “sugar daddy” ou que as relações fossem consensuais.

“Primeiramente porque um ‘pai doce’ não violenta, não humilha e não estupra. Em segundo lugar, necessário esclarecer que não houve consentimento para qualquer ato e qualquer relação reportada, assim como em qualquer relação que se dá por meio de abuso de poder, ameaças psicológicas, financeiras e de qualquer outra espécie”, argumenta. Gabriela ainda afirma que houve abuso de poder, ameaças psicológicas e financeiras.

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Na nota, a representante das vítimas lembra que o Brasil é o quinto país mais violento no mundo para mulheres e compara a estratégia da defesa de Klein com o que foi feito em outros casos conhecimentos, como de Marcius Melhen e Harvey Weinstein.

“A estratégia de desqualificação da vítima é utilizada em diversos episódios de agressão contra as mulheres, como observado recentemente nos casos de Marcius Melhem, Harvey Weinstein, Jeffrey Epstein e tantos outros que tiveram suas faces perversas reveladas em razão da força coletiva de mulheres.”

A advogada afirma também que, além dos depoimentos de dezenas de mulheres, as provas que constam nos autos são “contundentes, impactantes de chocantes”. Após as primeiras denúncias, outras vítimas entraram em contato com a defesa para relatarem os abusos sofridos. As vítimas estão sendo atendidas pelo projeto Justiceiras.

Saul Klein, herdeiro de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, é acusado por 14 mulheres de estupro e aliciamento. O empresário está impedido de contatar as vítimas e está com o passaporte retido. Segundo o advogado de defesa, André Boiani e Azevedo, Klein era um “sugar daddy” e contratava uma agência para levar mulheres às festas dele.

O empresário afirma estar sendo “vítima de um elaborado esquema de extorsão depois de cessar a contratação dela” e garante que as relações sexuais eram consensuais.