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Caso Rhuan: mãe e companheira são condenadas a 129 anos de prisão

João Conrado Kneipp
·3 minuto de leitura
Rosana (esquerda) e Kacyla foram presas por conta do assassinato do menino Rhuan (Foto: Polícia Civil do Distrito Federal/Divulgação)
Rosana (esquerda) e Kácyla foram condenadas a 129 anos de prisão, somando-se as penas, pelo assassinato do menino Rhuan (Foto: Polícia Civil do Distrito Federal/Divulgação)

Rosana Auri da Silva Cândido, mãe do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, e sua companheira, Kácyla Priscyla Santiago, foram condenadas a 129 anos de prisão pela morte e esquartejamento da criança, em 31 de maio do ano passado.

O Tribunal do Juri de Samambaia, no Distrito Federal, anunciou nesta quarta-feira (25) a sentença pelos crimes de homicídio qualificado, lesão corporal gravíssima, tortura, ocultação e destruição de cadáver e fraude processual.

A decisão ainda cabe recurso.

Rosana Auri foi condenada a 65 anos, 8 meses e 10 dias de prisão. Enquanto Kácyla Priscyla, a companheira da mulher, terá que cumprir a pena de 64 anos, 8 meses e 10 dias de detenção. Juntas, as penas somam mais de 129 anos de prisão.

Os jurados acataram na íntegra a denúncia do Ministério Público e reconheceram que as rés premeditaram o assassinato. Elas planejaram como executariam e destruiriam o corpo da criança.

Um ano antes da morte da criança, a dupla ainda retirou os testículos e o pênis do menino, em casa, sem anestesia ou acompanhamento médico. Por isso, ambas também foram acusadas por lesão corporal gravíssima e tortura.

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Durante o julgamento, Kácyla ficou em silêncio e Rosana assumiu a execução de todos os crimes, afirmando ainda que a companheira não teria nenhuma participação. No entanto, na delegacia de polícia, ambas haviam confessado com detalhes a brutalidade do assassinato cometido.

As autoras já cumpriam prisão preventiva desde a descoberta do crime.

RELEMBRE O CASO RHUAN

Rosana e Kácyla foram presas em flagrante na madrugada do dia 1º de junho de 2019.

A Polícia Civil afirma que Rhuan foi morto enquanto dormia por golpes de faca e decapitado ainda vivo. Antes de esquartejar o corpo, tentaram queimá-lo na churrasqueira para dificultar a identificação, mas desistiram por conta do cheiro.

Elas tentaram esconder dentro de um bueiro partes do corpo de Rhuan em uma mala, mas foi flagrada por jovens que jogavam bola. Eles suspeitaram da atitude das duas e, ao abrirem a mala, encontraram partes da vítima.

Os jovens acionaram a Polícia Civil e outras duas mochilas com membros do menino foram encontradas na casa de Rosana.

Uma menina de 8 anos — filha de Rosana — também estava na casa e foi levada para um abrigo pelo Conselho Tutelar. De acordo com o Conselho Tutelar, as duas crianças eram maltratadas pelas acusadas, que obrigavam as crianças a manterem relações sexuais entre elas.

Ainda, segundo as acusações, Rhuan e a menina viviam em cárcere privado e mal tinham acesso a cuidados básicos, como alimentação. Na denúncia, o promotor explicou que a mãe tinha um "sentimento de ódio" em relação ao filho por conta da família paterna.

O pai do garoto, Maycon Douglas Lima de Castro, separou-se de Rosana após o nascimento de Rhuan. As duas mulheres fugiram de Rio Branco, no Acre, em 2014, com as duas crianças. Desde então moraram em diversas cidades de Goiás e Sergipe até chegarem ao Distrito Federal.