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Caso Porto Real: menina morta por mãe e madastra passou nove meses isolada e foi torturada por beber leite sem autorização

·3 minuto de leitura

Um par de sandálias foi o que restou de lembrança de Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6 anos, na casa onde viveu seus últimos nove meses de vida, em Porto Real, no Sul Fluminense. Torturada até a morte pela mãe, Gilmara de Farias, de 27, e pela madrasta, Brena Luane Nunes, de 25, a menina não conseguiu desfrutar de sua infância ali. Não tinha brinquedos (foram jogados fora como castigo), era espancada com frequência, não ia à escola, se alimentava basicamente de café e farinha e sequer podia ir ao quintal.

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Ketelen não via outras crianças nem tinha amigos. Morreu em um hospital da vizinha Resende no último dia 24, uma semana depois de começar a ser espancada por beber, sem autorização, leite de uma caixa que havia caído no chão. Levou socos, chutes e teve a cabeça batida numa parede antes de ser jogada de um barranco de sete metros de altura, nos fundos da casa. Dividia o mesmo teto com quatro adultos e dormia em um colchão velho. Na janela do cômodo onde passava a maior parte do dia, Brena colocou cimento. Em depoimento prestado na 100ª DP (Porto Real), Rosângela Nunes, mãe da madrasta da criança, disse que o objetivo era impedi-la de ter contato com outras pessoas. Vizinhos não imaginavam que uma criança vivia ali.

— Havia uma lona preta, que ficava estendida na varanda, e a janela era cimentada. Eu só soube que ela morava na casa quando a polícia apareceu. Rosângela nunca pediu ajuda. A gente não sabia que Brena espancava a mãe, a avó, a companheira e a enteada — disse uma vizinha, que pediu anonimato.

Maria Aparecida Barbosa Nunes, de 86 anos, avó de Brena, permanece no imóvel. Ela contou que a neta sentia ciúmes da menina, não a queria perto de Gilmara. A mãe de Ketelen cedeu a chantagens da companheira e também passou a agredir a filha. Virou uma rotina, revelou a idosa. O casal está preso e foi denunciado à Justiça homicídio e tortura. Rosângela responde em liberdade a um processo criminal por omissão.

— Brena me batia à toa. Na verdade, batia em todo mundo. Bastava beber. Rosângela não fez nada, só não denunciou tudo porque achava quer seria morta. Brena vivia falando que não gostava da Ketelen. Jogou fora os brinquedos que a menina trouxe quando veio morar aqui — disse Maria Aparecida, que ganha um salário mínimo de pensão. — Minha neta pegava meu dinheiro e gastava tudo com bebida.

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Cega do olho esquerdo, apresentando sintomas de diabetes e com problemas de locomoção que a impedem de ficar sozinha, Maria Aparecida agora está acompanhada pelo filho Mauro Roberto Nunes. Morador da cidade de Mauá, em São Paulo, ele tomou conhecimento do caso pelo noticiário.

— Nossa vontade é que Brena fique muito tempo presa — afirmou Mauro Roberto.

Casal está na cadeia, e pai lembra o adeus

Interrogada pela polícia, Gilmara confessou o crime e apontou Brenda como cúmplice. Inicialmente, a madrasta negou a acusação, mas acabou confessando agressões a Ketelen. De acordo com investigações da 100ª DP (Porto Real), a menina foi espancada por dois dias antes de desfalecer. As duas mulheres chegaram a usar um cabo de TV como chicote, o que deixou a criança com muitos ferimentos. O caso só foi descoberto quando Rosângela, achando que ela estava morta, telefonou para o Samu.

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Pai da menina, o vendedor Roger Fabrizius da Rocha, morador de Japeri, não a via desde 2019. Perdeu contato com Gilmara, ficou desempregado e deixou de procurar a criança; sequer sabia que ela estava vivendo em Porto Real. Reencontrou a filha quando já estava intubada, pouco antes de sua morte.

— Vi as marcas das agressões, isso me chocou muito — contou Roger, lembrando que, dois anos atrás, Ketelen passou 20 dias com ele e a avó paterna.

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