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Caso Marielle: viúva pede que Bolsonaro "não se meta" nas investigações

Foto: AP Photo/Leo Correa

Mônica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), deu um recado claro ao presidente da República. Ela pediu que Jair Bolsonaro “não se meta” nas investigações sobre o crime.

"Não cabe ao presidente da República investigar absolutamente nada. A declaração que ele fez sobre ter tido acesso a áudios, a provas, faz com que isso tenha que ser olhado com muita seriedade", disse Mônica à coluna de Guilherme Amado, da revista Época.

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No último sábado (01), Bolsonaro admitiu ter pego os áudios da portaria do condomínio onde possui uma casa, no Rio de Janeiro. No mesmo dia, a oposição acusou o presidente de comer crime de obstrução da justiça, mas o presidente rebateu. "O que eu fiz foi filmar a secretária eletrônica com a respectiva voz de quem atendeu o telefone. Só isso, mais nada."

A viúva da vereadora disse não estar convencida da tese do Ministério Público do Rio de Janeiro, que indicou que o porteiro do condomínio mentiu ao ligar o presidente Jair Bolsonaro ao caso.

"Falta uma perícia séria que mostre minuciosamente tudo isso, se mentiu, se não mentiu. O que não pode é que pessoas não habilitadas a fazer essa investigação se intrometam no processo. Isso é inadmissível", afirmou.

Há três semanas, ela disse ter encontrado Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, a quem pediu uma posição mais enérgica: uma manifestação pública para dizer que o país está comprometido em resolver o caso.

"Mas o ministro só se manifestou, e muito rapidamente, quando o nome do presidente foi mencionado na investigação, para sair em sua defesa. Ele age de uma forma inadequada para um ministro. Afinal de contas, ele não é advogado do Bolsonaro", disse.

Mônica também se manifestou a favor do afastamento voluntário da promotora Carmen Eliza Bastos, que teve a atuação questionada após o surgimento de imagens dela apoiando o então candidato a presidência Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018.

"Não tinha como ser isenta. Não era só a campanha para o Bolsonaro, mas também a homenagem que ganhou do deputado Rodrigo Amorim, que rasgou a placa da Marielle e sempre demonstrou um profundo desrespeito e desprezo pela memória da Marielle".