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Caso Marielle será investigado por nova força-tarefa do Ministério Público

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Escadaria da rua Cristiano Viana, em Pinheiros, com um lambe-lambe em homenagem a vereadora Marielle Franco (PSOL). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Escadaria da rua Cristiano Viana, em Pinheiros, com um lambe-lambe em homenagem a vereadora Marielle Franco (PSOL). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Ministério Público do Rio de Janeiro anunciou a nova força-tarefa que vai investigar os mandantes das mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, após as duas promotoras responsáveis pedirem para deixar o caso em meio a suspeitas de interferências externas.

De três integrantes, o grupo passará a ter oito, sendo coordenado por Bruno Gangoni, que chefia o Gaeco (grupo de combate ao crime organizado) e já assumia a apuração do crime temporariamente desde a última semana.

Os demais membros são os promotores Roberta Laplace, Fabiano Cossermelli, Diogo Erthal, Juliana Pompeu, Michel Queiroz Zoucas, Marcelo Winter e Carlos Eugênio Laureano. Eles também integram o Gaeco e já trabalharam no caso no ano passado.

"Estaremos com uma grande frente de trabalho, reunindo promotores especializados, dedicados à continuidade das investigações, para a identificação dos eventuais mandantes dos crimes. Reafirmo que a elucidação completa deste caso é uma das prioridades absolutas do MPRJ", disse o órgão em nota.

"Serão preservados o diálogo e a atenção sempre dispensada aos familiares de Marielle e Anderson, bem como às instituições que acompanham o caso, sendo resguardado o sigilo necessário sobre informações que possam comprometer as investigações e o que é determinado legal ou judicialmente", acrescentou.

Os assassinatos vinham sendo investigados pelas promotoras Simone Sibilio e Letícia Emile, por meio do Gaeco. Em março deste ano, quando o procurador-geral de Justiça Luciano Mattos assumiu, elas se afastaram de suas atribuições no grupo e passaram a atuar exclusivamente no caso junto a outro assistente.

A criação da equipe fez parte da reformulação dos grupos especializados no Ministério Público, conduzido por Mattos. Ele decidiu diminuir o volume de apurações sob responsabilidade deles, criando forças-tarefas pontuais para investigações complexas, como o caso Marielle.

Há cerca de duas semanas, porém, ambas decidiram deixar a apuração. Um dos motivos seriam divergências causadas por um acordo de colaboração premiada fechado pelo MP com Júlia Lotuffo, viúva do miliciano e ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega, segundo publicou o jornal O Globo.

Júlia, que foi capturada depois de um mês foragida e cumpre prisão domiciliar, afirmou que tinha pistas para indicar sobre os mandantes do crime, mas as promotoras se sentiram alijadas na negociação. A dupla apontou, segundo o jornal, "risco de interferência externa" na condução do caso.

A saída delas também teve como pano de fundo o vazamento de informações confidenciais da apuração, de acordo com a TV Globo. O caso envolveu o delegado Maurício Demétrio Alves, preso e acusado de cobrar propina de comerciantes de produtos falsificados em Petrópolis.

Descobriu-se que ele teve acesso a informações secretas do caso que estavam no e-mail de um ex-policial civil cujo sigilo telemático foi quebrado durante as investigações, que seria ligado à contravenção e estaria entre os investigados pelas mortes. A Polícia Civil negou qualquer tentativa de interferência.

Sibilio e Emile estão entre os responsáveis pela linha de investigação que levou às prisões dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. Eles são únicos presos e acusados pelos assassinatos de Marielle e Anderson até agora e serão julgados pelo Tribunal do Júri.

A nova força-tarefa com oito membros deverá herdar ao menos 14 procedimentos abertos a partir da investigação dos homicídios.

Um dos desdobramentos do caso foi a Operação Intocáveis, que mirou a atuação da milícia de Rio das Pedras e indicou como chefe do grupo Adriano da Nóbrega. Ele foi morto num sítio na Bahia em Esplanada (a 170 km de Salvador) em fevereiro de 2020, numa operação das PMs baiana e fluminense.

Adriano era amigo e foi companheiro de batalhão de Fabrício Queiroz, também amigo do presidente Jair Bolsonaro e apontado como operador financeiro da "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia do RJ. Sua ex-mulher e sua mãe foram lotadas no gabinete.

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