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"A vida da Lorenna valeu 4 mil reais, minha gente", lamenta marido de trans morta

Alma Preta
·4 minuto de leitura
Confirmação da morte da pernambucana Lorenna Muniz, vítima de descaso médico, abre caminho para discussão sobre a precarização de clínicas de estética que funcionam sem estrutura adequada
Confirmação da morte da pernambucana Lorenna Muniz, vítima de descaso médico, abre caminho para discussão sobre a precarização de clínicas de estética que funcionam sem estrutura adequada

Texto: Roberta Camargo Edição: Lenne Ferreira

"A vida da Lorenna valeu 4 mil reais, minha gente", lamentou Washington Barbosa, companheiro de Lorenna Muniz que teve a morte confirmada na manhã desta segunda-feira (22). O caso foi exposto por ele nas redes sociais na última sexta-feira (19), e recebeu o apoio de nomes como a deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL-SP) e da vereadora Erika Hilton (PSOL-SP). O descaso da equipe médica com a dançarina e cabeleireira pernambucana não é algo isolado. Na internet, avaliações feitas por outros clientes sobre a clínica confirmam a falta de preparo da equipe médica e a precariedade da estrutura do local, que fica na Liberdade, bairro da região central da cidade.

Após a confirmação do óbito, Washington Barbosa também usou suas redes pessoais para desabafar sua revolta.

Na última semana, Lorenna Muniz, de 25 anos, saiu de Recife para São Paulo para realizar o sonho de aplicar prótese mamária. O destino era a Clínica Saúde Aqui, onde ela realizou uma cirurgia para colocar próteses de silicone nos seios. A cirurgia aconteceu na quinta-feira (17), mesma data do incêndio que atingiu o prédio onde Lorenna estava sob observação. Ela foi deixada na mesa de cirurgia, sedada e inalou a fumaça do fogo que começou na parte elétrica do imóvel.

A inalação da fumaça por um período prolongado causou danos cerebrais irreversíveis e Lorenna não resistiu. "O que aconteceu com a Lorenna faz parte da trágica realidade que as pessoas trans enfrentam dentro do conjunto de exclusões que nós passamos na vida", desabafou Erica, que, além de visibilizar o caso, tem prestado solidariedade à família.

Saúde e segurança da população trans

Para a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a invisibilidade da pauta trans na saúde pública do país é um dos fatores que leva essa parcela da população a buscar procedimentos estéticos particulares em espaços que se aproveitam da vulnerabilidade desses pacientes. Em nota pública, a associação diz que “é urgente que a discussão sobre a garantia do acesso e cuidados com a saúde da população Trans faça parte do cotidiano de gestores, parlamentares, trabalhadores da saúde, e de toda a sociedade, a fim de que possamos construir estratégias de acolhimento das demandas, melhoria nos serviços e ampliação da rede de cuidados.”

Erica Malunguinho, primeira deputada trans eleita na capital paulista, pontua que a complexidade do tipo de cirurgia feita por Lorenna exige muito cuidado e competência da equipe médica: "Não se trata de um procedimento estético, mas de um procedimento de saúde, de modo que o nosso corpo se encontre dentro da identidade de gênero que nós nos identificamos." A falta de políticas que tornem o procedimento acessível por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a jovem foi atraída pelo preço baixo oferecido pela clínica. “É importante avançar em políticas, garantir que haja fiscalização dos órgãos competentes em relação a essas clínicas, que não tem registro para o funcionamento, instalações precárias e profissionais pouco capacitados", afirma a deputada Erica Malunguinho, que também é pernambucana.

Em nota, a vereadora Erika Hilton afirmou que não vai medir esforços para pensar “uma estratégia jurídica e política” que leve à apuração dos fatos e responsabilização da clínica. “Não podemos permitir a espetacularização da morte de uma travesti por negligência médica”, completou Hilton.

A ativista trans Robeyoncé Lima, co-deputada estadual em Pernambuco pela mandata coletiva das Juntas, escreveu em sua conta no Twitter que estava em contato com parlamentares de SP e outras instituições para acompanhar e ajudar a família e a vítima. Hoje, lamentou a morte da jovem.

Em nota enviada à Alma Preta, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que "Todas as circunstâncias da ocorrência são investigadas pelo 1º DP (Sé), por meio de inquérito policial. Testemunhas foram ouvidas e laudos periciais estão em andamento para determinar as causas do incêndio e determinar se houve negligência dos profissionais, que acabou culminando com a morte da mulher".

Lorenna morava no Bairro do Fragoso, em Paulista, Região Metropolitana do Recife, onde vivia com o marido e a família, que a apoiaram na realização da cirurgia. A maquiadora era proprietária de um salão de beleza que servia de fonte de renda. Para realizar o procedimento, ela precisou vender alguns equipamentos. Ela também integrava a quadrilha junina Tradição e era descrita como uma pessoa alegre e sonhadora.