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Caso Henry: Dr. Jairinho presta depoimento na DCAV sobre agressões à ex-namorada e à filha dela

Paolla Serra
·3 minuto de leitura

Preso na manhã desta quinta-feira, dia 8, pela morte do enteado Henry Borel Medeiros, de 4 anos, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), está prestando depoimento ao delegado Adriano França, titular da Delegacia da Criança Adolescente Vítima (DCAV), sobre as agressões contra uma ex-namorada e sua filha, hoje com 13 anos. Em entrevista ao GLOBO, a cabeleireira de 31 anos disse que teve uma crise de consciência ao tomar conhecimento da abertura do inquérito instaurado na 16ª DP (Barra da Tijuca) para apurar a morte de Henry. A moça foi até a delegacia relatar que ela e a filha foram agredidas pelo parlamentar há quase uma década. Ele, no entanto, afirma que a jovem mente e o calunia por ter sido abandonada no altar, situação “extremamente humilhante”, e que lhe causou “ódio e promessa de vingança”.

“Quando estourou a crise do Henry, tive a minha primeira crise de consciência, me senti deprimida. E comecei a pensar: “Será que se eu tivesse feito alguma coisa, isso teria sido evitado?”, emocionou-se a cabeleireira, em entrevista ao GLOBO.

Uma das 18 testemunhas que prestaram depoimento à polícia, a mulher deu detalhes e explicou como se aproximou de Jairinho, como era o relacionamento de dois anos que teve com o parlamentar e como e por quê se deu o término do namoro. Ela também reafirma as acusações de agressões sofridas por ela e a menina e diz esperar contribuir com as investigações pelo Henry e pela filha. No depoimento que prestou na 16ª DP, a moça disse que a criança, de 3 anos à época, ficava nervosa, chorava e até vomitava ao ver Jairinho e que ela contou ter tido a cabeça afundada por ele embaixo da água de uma piscina.

A mulher contou que, em determinado momento, sua filha não mais queria ficar em sua companhia quando ela estava com Jairinho. A menina chorava e pedia para dormir com a avó materna. A testemunha disse ainda que, em uma ocasião em que viajou com Jairinho e a filha, ele lhe ofereceu remédios para dormir, tendo a moça colocado o comprimido embaixo do travesseiro.

Ao chegar na sala do apartamento, em Mangaratiba, disse ter encontrado o vereador segurando pelos braços a criança, que estava assustada. Ela relatou também um episódio em que, depois de uma discussão, decidiu voltar para a casa a pé. Inconformado, o vereador foi de carro atrás das duas, abriu a porta e mandou que entrassem. Diante da recusa, ele teria pegado a criança pela cintura e a colocado bruscamente no veículo.

Segundo o depoimento prestado pela ex-namorada, sua filha ficava nervosa, chorava e até vomitava ao ver Jairinho. A menina chegou a contar para a avó materna que também apanhava do parlamentar e que teve a cabeça afundada por ele embaixo da água de uma piscina. Um inquérito foi aberto, então, na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) para apurar o caso.

A cabeleireira disse ter conhecido Jairinho em 2010, na festa de comemoração pela eleição de seu pai, o policial militar e deputado estadual Jairo de Souza Santos, o Coronel Jairo (MDB), e logo depois eles teriam ficado noivos. Na ocasião, o vereador era oficialmente casado com a dentista Ana Carolina Ferreira Netto, mãe de dois de seus três filhos - fato que era negado pelo político e seus familiares, segundo ela.

Em uma petição assinada por André França Barreto, que representa Dr. Jairinho e sua atual namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, o advogado aponta que pelo parlamentar estar “em evidência”, o “momento se mostrou oportuno” para a moça “desferir mentiras”, negando as acusações.