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Caso de amor da França com energia nuclear começa a azedar

Francois de Beaupuy

(Bloomberg) -- O anúncio da Electricité de France de que alguns de seus reatores nucleares na França podem apresentar defeitos é o mais recente revés no caso de amor de 40 anos do país com a energia atômica.

A França lançou um programa nuclear na década de 1970 para reduzir a dependência do país de combustíveis fósseis. Minas de carvão que davam prejuízo começaram a ser fechadas e as economias ocidentais foram afetadas por dois choques consecutivos do petróleo. A EDF instalou 58 reatores entre 1978 e 2002, o que tornou a França mais dependente de energia nuclear do que qualquer outro país. Isso também resultou em uma infraestrutura de energia antiquada, e as usinas mais antigas iniciaram programas de modernização para estender seu ciclo de vida.

"A frota nuclear francesa está envelhecendo, o que significa que algumas usinas deverão ser fechadas nos próximos 15 anos", disse Marc-Antoine Eyl-Mazzega, diretor do Centro de Energia do Instituto Francês de Relações Internacionais. “Alguns dizem que a energia nuclear é muito arriscada. As energias renováveis trazem dezenas de milhares de empregos, mas a França está ficando para trás.”

Desafios

Depois de instalar seu 58º reator em 2002, a EDF começou a construir um novo tipo de usina atômica em 2007. Seu principal projeto de Flamanville, no oeste da França, deveria ser concluído em 2012, apesar de ter sido afetado por problemas nas obras.

A EDF também enfrentou reveses em sua frota existente de reatores franceses. Em 2016, sua principal fornecedora Framatome divulgou anomalias nos registros de fabricação de grandes equipamentos, levando a paradas prolongadas em quase um terço dos reatores da concessionária. O anúncio de terça-feira da EDF de que alguns de seus reatores podem conter componentes fora do padrão fabricados pela Framatome, controlada pela EDF com uma participação de 75,5%, volta a despertar o temor de paralisações prolongadas.

Como a França obtém 75% de sua energia de fonte nuclear, o impacto financeiro da interrupção pode ser forte.

"Pode haver um aumento significativo dos preços de energia da França e da Europa Central devido aos prováveis cortes de energia nuclear na França", disseram analistas do Barclays Bank, Peter Crampton e Dominic Nash.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Francois de Beaupuy em Paris, fdebeaupuy@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: James Herron, jherron9@bloomberg.net, Christopher Sell, Helen Robertson

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