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Cascavel afirma que sua importância no Ministério foi aumentada e que era apenas um 'facilitador'

·4 minuto de leitura
BRASÍLIA, DF, 05.08.2021: CPI-COVID-DF - CPI da Covid no Senado ouve o depoimento do empresário Airton Antonio Soligo, conhecido como Airton Cascavel, em Brasília, nesta quinta. Ele é apontado nos bastidores do Ministério da Saúde como homem de confiança do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da pasta. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 05.08.2021: CPI-COVID-DF - CPI da Covid no Senado ouve o depoimento do empresário Airton Antonio Soligo, conhecido como Airton Cascavel, em Brasília, nesta quinta. Ele é apontado nos bastidores do Ministério da Saúde como homem de confiança do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da pasta. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Chamado de "ministro de fato" por alguns interlocutores quando permaneceu no Ministério da Saúde, o empresário Airton Soligo afirma que não teve a "importância" na pasta que foi divulgada pela imprensa e por secretários estaduais e municipais. Em depoimento à CPI da Covid, disse que era apenas um "facilitador".

O empresário, chamado de Airton Cascavel, ainda afirma que foi chamado para atuar o ministério na articulação política, uma vez que os militares que foram nomeados não tinham "traquejo político do trato".

"Quando falam da vacina, eu chego a dizer o seguinte: se eu tivesse esse poder de decisão das pessoas [que me atribuem], fica a imprensa dizendo da importância [que eu tinha], eu teria comprado [as vacinas]", disse.

"Mesmo não podendo comprar, como nenhuma lei permitia, eu teria comprado a Pfizer, eu teria comprado a Janssen. Se dependesse de mim, se eu tivesse esse poder, eu estaria aqui hoje respondendo por que tinha comprado", completou.

Cascavel ainda afirmou que foi chamado para fazer a interlocução política, facilitando o diálogo com estados e municípios. Disse em vários momentos de seu depoimento que era apenas um "facilitador"

"Eu quero diminuir essa importância que as pessoas me atribuem nessa relação com estados, com municípios [...]. Eu nunca vi um secretário municipal ou estadual me condenar por qualquer atitude. Pelo contrário, diziam que eu ajudava a facilitar, ajudava a facilitar a burocracia pública, para que as coisas acontecessem. Foi esta a minha função, a de fazer acontecer", completou.

Cascavel negou, por exemplo, que tivesse participado da negociação de vacinas. Ele afirma que seu papel, em alguns momentos, foi de pacificador. Lembra que atuou para diminuir a tensão existente entre o governo federal e o estado de São Paulo, o que possibilitou o anúncio do contrato para a aquisição da vacina Coronavac. O acordo depois foi suspenso, por ordem do presidente Jair Bolsonaro. O então ministro Eduardo Pazuello disse na ocasião a célebre frase "manda quem pode, obedece quem tem juízo".

O ex-assessor do Ministério da Saúde Airton Soligo foi questionado pelo relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre quando havia começado a negociação das vacinas.

Ele respondeu que não poderia afirmar, mas acredita que foi entre junho e julho do ano passado com a Fiocruz. Ele ressaltou que não atuou em nenhuma negociação.

ATUAÇÃO INFORMAL

Em depoimento à CPI da Covid, o empresário Airton Soligo, conhecido como Airton Cascavel, afirmou que atuou de maneira informal no Ministério da Saúde, sem ser efetivamente nomeado, pois a pandemia do novo coronavírus atrasou o procedimento.

Um dos pontos polêmicos envolvendo sua atuação, e que inclusive é alvo de investigação no Ministério Público, é o fato de Cascavel ter atuado no enfrentamento à pandemia sem nenhum vínculo com a pasta. Ele era apontado como braço-direito do ex-ministro Eduardo Pazuello e chegou a ser definido por interlocutores como "ministro de fato".

Ele disse que se aproximou do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante a Operação Acolhida, projeto do governo brasileiro de apoio a imigrantes venezuelanos, em Roraima.

Durante esse período de informalidade, ele atuou na interlocução com estados e municípios, negociando o envio de insumos e equipamentos, em alguns dos momentos mais delicados da pandemia. Cascavel disse que as pessoas exageram o seu papel naquele momento, em relação à interlocução. Afirmou que apenas ajudou na desburocratização, em um momento de grande necessidade.

"Não assinei nada nesse momento. Eu era o interlocutor, mas era o momento para isso [ atuar, por conta da gravidade da pandemia", afirmou.

"Se tiver que responder pela minha atuação, eu tenho a dizer que não fui omisso. Eu fiz a minha parte", disse.

Cascavel afirmou que sua nomeação atrasou porque era necessária a desvinculação de sua empresa, mas os cartórios estavam fechados por causa da pandemia. Ele foi inicialmente convidado a atuar nos primeiros dias de maio e sua nomeação apenas aconteceu em 24 de junho.

"Vim pensando em ficar 10 dias naquela condição [ajudar na interlocução política]. Mas fui convidado pelo ministro [Nelson] Teich para ser seu assessor especial. Dois, três dias depois, o ministro Teich pediu demissão. Aquele pedido já não existia mais", afirmou.

Ele disse que voltou a ser convidado efetivamente pelo ministro seguinte, Pazuello, quando houve o problema com a falta de documentação.

"Nos meus documentos, quando entreguei, faltava a desvinculação da pequena empresa que tenho", disse, acrescentando o problema de os cartórios estarem fechado.

Em uma forma de tentar se desvincular politicamente do governo, o empresário disse que o melhor ministro da Saúde, em sua opinião, foi o atual senador José Serra (PSDB-SP).

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) questionou o fato de a Casa Civil ter inicialmente apresentado resistência ao seu nome, por conta de processos que ele responderia. Cascavel respondeu afirmando que eram processos eleitorais apenas e que ele não tem condenações.

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