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Casamento gay cresce 61,7% em 2018, em meio à onda conservadora, aponta IBGE

Bruno Villas Bôas

Temor da dissolução desse direito com a onda conservadora vivida pelo país aumentou o número de casamentos homoafetivos Os casamentos homoafetivos cresceram fortemente no Brasil no ano passado, movimento relacionado, em grande medida, à decisão de casais LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) de antecipar o enlace sob o temor da dissolução desse direito com a onda conservadora vivida pelo país.

Dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE mostram que os casamentos registrados entre cônjuges do mesmo sexo cresceram de 5.887 de 2017 para 9.520 em 2018, o que corresponde a um incremento de 61,7%. Nesse mesmo período, os casamentos civis em geral recuaram 1,6%.

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Durante a campanha, o presidente Jair Bolsonaro não fez promessas de acabar com o casamento gay, mas chegou a assinar um termo, em outubro, no qual se comprometia a promover “o verdadeiro sentido do matrimônio, como união entre homem e mulher” e combater a “ideologia de gênero”.

De acordo com dados da pesquisa, 42% dos casamentos homoafetivos realizados no ano passado foram concentrados nos meses de novembro e dezembro, após o resultado das eleições presidenciais. Dos casamentos heterossexuais, 20% foram realizados em novembro e dezembro.

Klívia Oliveira, gerente das Estatísticas do Registro Civil do IBGE, evitou associar o aumento do casamento LGBT com o avanço do conservadorismo no país. “Sobre este ano específico, não sei dizer o motivo do crescimento porque a pesquisa não traz esse tipo de detalhamento”, disse Klívia, sugerindo que pode ter havido maior disseminação da informação de que o casamento homoafetivo seria possível.

Segundo a pesquisa, o casamento LGBT cresceu mais entre cônjuges do sexo feminino (alta de 64,2%) do que entre cônjuges do sexo masculino (aumento de 58,3%) em 2018. Para Klívia, o avanço maior entre as mulheres teria relação com a necessidade feminina de oficializar compromissos.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo começou a se tornar possível em 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou norma obrigando cartórios a realizar a união.