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Casa Branca vira madrugada para evitar greve de ferroviários em meio a alta da inflação

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.06.2014 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.06.2014 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Foram mais de 20 horas de negociação e uma madrugada turbulenta até que um anúncio da Casa Branca nas primeiras horas da manhã desta quinta (15) tranquilizou classe política e empresariado em Washington: companhias e sindicatos que representam trabalhadores ferroviários chegaram a um acordo e suspenderam a greve marcada para sexta-feira (16), que prometia impactar todos os setores da vida cotidiana dos Estados Unidos.

De acordo com a Association of American Railroads, que representa as empresas do setor de trilhos, a previsão era de que a paralisação provocasse perdas de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) por dia, e que até 570 mil empregos fossem perdidos em duas semanas nas indústrias dependentes do abastecimento por trilhos, diz a associação.

Pelo menos 13 sindicatos que representam cerca de 150 mil trabalhadores estavam envolvidos nas negociações, que pediam em geral aumento de salário e melhores condições de trabalho, e mais especificamente o fim do desconto na folha de pagamento de horas não trabalhadas por consultas médicas e emergências familiares, entre outros pontos. Esta seria a primeira greve no sistema ferroviário desde 1992.

O receio era o impacto na já combalida economia americana, com dois semestres consecutivos de queda no produto interno bruto, em meio a uma inflação anual de 8,3%, segundo dados divulgados na terça. O abalo seria maior ainda no preço dos alimentos, que acumulam alta de 11,4% no último ano.

A preocupação mais imediata era com a agricultura. Segundo a CBA (Consumer Brands Association), associação que representa fabricantes de alimentos, bebidas e produtos domésticos em geral, desde quarta já havia atrasos no transporte de fertilizantes e de produtos agrícolas, com a diminuição dos serviços.

A expectativa era de que já nesta quinta fosse interrompido o transporte de produtos agrícolas. A Casa Branca tentou negociar outras maneiras de distribuir esses alimentos mas, segundo a CBA, seriam necessários 467 mil caminhões por dia para dar conta da demanda.

"Se os trilhos não funcionarem, todo o nosso sistema de agricultura deixará de funcionar", disse, na terça-feira, a senadora republicana Deb Fischer. "A terrível invasão da Ucrânia pela Rússia reduziu drasticamente o fluxo de grãos, e a guerra prejudicou ainda mais a cadeia de fornecimento de fertilizantes. Tudo isso para dizer que o interesse em torno das negociações ferroviárias não poderia ser maior."

Os preços do etanol, que tem 70% de seu transporte feito sobre trilhos, dispararam nesta semana em meio à ameaça de paralisação.

Também houve impactos no sistema de transporte de passageiros, que transporta mais de 12 milhões de pessoas por ano. A Amtrak, empresa estatal de transporte ferroviário, anunciou o cancelamento de viagens de longa distância nesta quinta.

A previsão era que a greve afetaria diferentes aspectos da vida americana: a Association of American Railroads afirma que os trilhos transportam 75% dos novos veículos fabricados, produtos químicos usados no tratamento de água, dezenas de milhares de pacotes de compras online, entre outros.

Segundo a associação, o sistema ferroviário transporta um terço das exportações de grãos dos Estados Unidos, e um trem carregado de trigo tem suprimentos suficientes para fazer 260 mil pães. Entre outros materiais, a entidade afirma que um veículo abastecido com plástico carrega material para fazer 2 milhões de garrafas de refrigerante de 2 litros e um carregamento de fertilizantes abastece uma fazenda de 4.500 acres. Além disso, um trem com 100 contêineres transporta 200 mil pacotes de compras online entregues pela UPS, grande transportadora americana e maior cliente do sistema ferroviário.

Todo esse impacto viria a menos de dois meses das eleições legislativas de meio de mandato, que ameaçam o controle do Partido Democrata no Congresso, e colocaram todos os esforços da Casa Branca nas negociações para evitar a paralisação.

Segundo o jornal americano New York Times, o presidente Joe Biden chegou a ligar para líderes sindicais e empresários na segunda-feira. Nesta quarta, os dois lados viraram a madrugada em negociações no Departamento do Trabalho, em Washington, junto do secretário da pasta, Martin J. Walsh, que cancelou uma viagem de última hora para a Europa. "Todos vão ter que ceder um pouco", disse a jornalistas o secretário de Transportes, Pete Buttigieg, mais cedo.

Houve forte pressão entre os setores empresariais para que o Congresso interviesse se o governo Biden não conseguisse evitar a greve. "Se não chegarem a uma conclusão, vou utilizar minhas prerrogativas como membro do Senado para uma intervenção do Congresso e trabalhar para evitar os impactos de uma paralisação por todo o país", disse o republicano Jerry Moran em discurso no Senado.

Era o que a Casa Branca queria evitar. Biden é tido como próximo dos setores sindicais e não queria lidar com o revés tão próximo das eleições legislativas de novembro. A para a porta-voz de seu governo, Karine Jean-Pierre, chegou a dizer na quarta que "esta é uma questão que pode e deve ser resolvida pelas empresas e pelos sindicatos, não pelo Congresso."

No começo da manhã desta quinta, porém, veio o desfecho. Em comunicado, o presidente comemorou o resultado das negociações como uma vitória dos trabalhadores "que trabalharam incansavelmente ao longo da pandemia" e afirmou que o acordo "vai manter o emprego de americanos em todas as indústrias do país" que dependem do sistema ferroviário.