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Cartolouco relembra polêmicas, admite erros e confessa desejo de retornar à televisão

Renan Nievola
·9 minuto de leitura
Cartolouco (Reprodução)
Cartolouco (Reprodução)

Um dos participantes da última edição do reality show “A Fazenda”, da Record, o jornalista Lucas Strabko, conhecido por fãs de esporte como “Cartolouco”, deu uma entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes.

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No bate-papo, o jornalista falou sobre as inúmeras polêmicas que acumulou em sua curta carreira até o momento - que levaram à demissão da Globo -, como quando alfinetou o apresentador Benjamin Back, do episódio em que foi ameaçado de morte por tirar sarro do Fluminense e do Fortaleza, e se tem vontade de voltar à televisão após ser desligado do canal carioca.

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No ano passado, o presidente do Conselho de Ética do Fortaleza, Advincula Nobre, em manifestação preconceituosa, publicou uma foto em uma rede social que mostrava um beijo seu dado na boca do apresentador Lucas Gutierrez, do Grupo Globo. No texto da publicação, o dirigente do leão do Pici afirmou que sua atitude representava o que, para ele, era a esquerda” e que quem quisesse, que fosse homossexual, mas não publicamente, qualificando o seu ato como atentado violento ao pudor”. No contexto dessa manifestação, gostaria que você falasse sobre a homofobia no meio do futebol, e também no jornalismo esportivo. Há uma pressão dentro das redações esportivas e/ou por parte dos torcedores para que profissionais de jornalismo esportivo e jogadores não sejam homossexuais?

Essa situação no Fortaleza foi muito triste. Felizmente, a torcida do Fortaleza foi contra e ele, salvo engano, até perdeu o cargo no Conselho de Ética. Sobre a homofobia no futebol, eu conheço casos de jornalistas gays que trabalham com televisão e não falam que são gays por medo de retaliação. O ambiente do futebol é muito machista, homofóbico e preconceituoso. Acho importante algum jogador gay levantar essa bandeira mesmo. Vai tomar pancada, mas vai ser importante para que outras pessoas se abram.

O apelido Cartolouco” deu relativa projeção ao jornalista Lucas, tornando-o conhecido para parte dos consumidores de conteúdo esportivo. Mesmo depois da saída da Globo, você pretende continuar usando esse apelido ou passará a assinar matérias e conteúdos feitos por você com seu nome e sobrenome?

Eu registrei esse nome. Paguei, é meu (risos). Penso que é um processo para eu deixar de ser Cartolouco, deixar de usar esse nome. Não será fácil porque a galera me conhece assim, ninguém me chama de Lucas, e tem um envolvimento muito grande com o fantasy game da Globo. É complicado eu ficar carregando o nome Cartolouco sendo que eu não trabalho mais para a Globo. Eu penso em alterar o nome em algum momento, mas é um processo gradual, que eu acho que vai demorar um pouco para acontecer.

Durante a maior parte de sua passagem pela Globo, a emissora apoiou seu estilo descontraído e deu certa autonomia para que você produzisse conteúdo. Em que momento você sentiu que a Globo passou a questionar algumas de suas brincadeiras e a rever essa autonomia dada a você? Você acha que isso tem relação com seu comportamento e atitudes enquanto não estava exercendo a profissão? Para você, a emissora errou ao agir dessa forma?

A Globo era um lugar legal para se trabalhar, mas ainda é um pouco conservadora em relação a doideiras e ideias diferentes. Quando dava algum problema, eles davam bronca. Foram pequenas coisas, no meu tempo de Globo, que fizeram com que eles sentissem que o clima era insustentável. A minha demissão aconteceu por uma coisa que eu fiz na minha casa, no meu banheiro. Era para ser uma coisa positiva, para a galera parar de desperdiçar papel higiênico, para ficar em casa, mas a chefia achou que eu estava a desafiando. Eu não estava. E acabei sendo mandado embora. Não acho que a Globo tenha errado comigo, mas acho que é um erro conceitual não deixar criar tanto, ter tanta liberdade assim para fazer as coisas, principalmente quando você não está trabalhando. Acho que é um erro conceitual de como a empresa enxerga atualmente o que é internet e o que é o mercado e a potencialidade que essas coisas têm de chamar atenção e gerar meme e conteúdo.

Em relação ao formato de conteúdo produzido, você se considera mais adequado para o jornalismo televisivo ou para a produção de conteúdo voltado à internet?

As pessoas falavam que eu tinha muito mais cara de internet do que de televisão. Eu não concordo. Acho errado o jeito que a televisão trata o conteúdo hoje em dia: sem muita ousadia, com um pouco de medo de como criar, de como fazer. Acho isso problemático. Acho que o meu jeito era bom para televisão. A televisão tem que se abrir mais, tem que procurar mais a pegada de internet. Eu sempre quis levar esse conteúdo mais ousado para a internet, deu certo por um tempo, mas chegou um momento em que a Globo não quis mais que eu fizesse isso lá.

Gostaria de que você falasse do episódio envolvendo a sua aparição em meio à torcida do Ceará, durante a partida válida pela rodada final do Brasileirão de 2018, enquanto você ainda trabalhava no Grupo Globo. O que fez com que você tomasse a decisão de ir para o meio da torcida e a chamar o Fortaleza de pequenininho”? Você acredita que essa atitude à época, foi criticada porque você, como jornalista esportivo de uma emissora grande, deveria agir de forma neutra?

Eu fiz uma matéria com a torcida do Ceará em 2018, no meio do povo. Aí, no final do ano, a torcida do Ceará me levou para estar no meio do jogo Ceará e Vasco. Me colocaram no meio da torcida. Foi um dos dias mais loucos da minha vida, a torcida gritando “uh, terror, Cartolouco é Cearamor [nome da maior torcida organizada do Ceará]”. Aí eu achei que precisava devolver o carinho que eles estavam me dando. Me colocaram em cima do palco, estava tendo show sertanejo e eu falei: “É agora, vou brilhar aqui”, aí eu xinguei o Fortaleza, falei que era pequenininho. Recebi ameaça de morte na hora de voltar para casa. Esse dia foi uma doideira. Me arrependo, eu não deveria ter feito aquilo. Era só ter exaltado o Ceará, não precisava ter falado do Fortaleza. Errei e isso é incontestável. Foi uma ofensa gratuita. E sendo jornalista, foi pior ainda.

O que te motivou a realizar uma live” com Mário Júnior, que recentemente se tornou famoso por produzir vídeos no aplicativo Tik Tok? Quais foram os assuntos tratados na sua conversa com ele?

O Mário Júnior é um fenômeno, muito gente boa. Na época que fiz a live com ele, o chamei para fazer uma live e ele tinha 60 mil seguidores. Minha proposta era que as pessoas conhecessem quem era o Mario, porque as pessoas não conheciam. Foi muito legal, hoje ele já está com mais de 1,8 milhão de seguidores no Instagram. A gente falou sobre futebol, sobre amor, sobre as coisas que ele estava fazendo. Dei voz a ele, para ele contar da vida dele, quem era Mr Johnson, Leticia... Foi um grande prazer.

Depois de ter falado, ao vivo, no extinto programa “É Gol” do SporTV que o Fluminense deveria pagar a Série C”, você despertou a ira de alguns torcedores tricolores nas redes sociais. Em algum momento, você chegou a sentir medo de frequentar locais públicos no Rio de Janeiro pela possibilidade de sofrer agressões de torcedores do Fluminense?

Sim, realmente me deu medo depois, de sair na rua. Foi a primeira vez que eu tomei uma onda de hate real, da galera descobrindo telefone de familiar meu, mandar mensagem. Foi a primeira vez que eu me assustei, fiquei com muito medo mesmo. Eu errei também nessa brincadeira do Fluminense, é um desrespeito virar o escudo do clube de cabeça para baixo como eu fiz. Depois de um mês daquele episódio, fui ao estádio e estavam jogando Fluminense e Palmeiras. Aí, no intervalo, na cadeira cativa do Maracanã, quase apanhei de família, de velhinho. Foi uma doideira. Fiquei com medo de sair no Rio de Janeiro, de receber algum xingamento, alguma agressão. Na internet a galera fala muito, mas quando estão perto, é muito diferente, a galera não faz nada não.

Também em 2018, ao utilizar o termo Fofox” para se referir ao canal Fox Sports e ao dizer que, no SporTV, ”pelo menos não havia o Benjamin Back para estragar de vez”, você provocou a resposta do apresentador da emissora concorrente, que publicou um tweet nas redes sociais dizendo que não te conhecia, que você era inexpressivo, sem graça e que, se ele fosse seu diretor, ficaria bem bravo. Depois desse episódio, você chegou a conversar com Benjamin Back? Existe algum tipo de relação entre vocês dois hoje em dia?

Essa história foi doida. O “É Gol” era um programa de zoeira, que tinha que romper com o padrão da TV e zoar para caramba. Às vezes “dava ruim”, como nesse episódio do Benja. Ele ficou bravo comigo na época. Ele me ligou, falou um monte de coisa, eu me desculpei pessoalmente com ele, na final da Libertadores de 2018. Relação nós não temos nenhuma, a gente não se fala. Ele falou no tweet que não me conhecia, que eu era inexpressivo, sem graça, mas lógico que ele conhecia o “papai cartolouco”. Mas para mim ficou tranquilo. Eu gosto do trabalho do Benja, só que ele pegou pilha minha por causa de bobeira.

No programa “É Gol”, você chegou criticar o programa do SporTV que vinha na sequência, o Seleção”, em comentário feito na própria programação do canal, dizendo que não sabia se era pior aguentar duas horas de Kazim (na época, atacante do Corinthians) ou assistir a duas horas de Seleção SporTV. Além disso, você chegou a chamar a Rede Globo, mais uma vez em manifestação feita na própria programação do SporTV, de Rede Flamengo de Televisão”. Qual foi a visão dos diretores da emissora acerca desses episódios?

A galera da direção dava bronca em relação a essas coisas. Falavam que não podia fazer isso, que o programa era da casa, e eu explicava que era o meu jeito de trabalhar. Eu chamava o “Seleção SporTV” de Selesono, ou Soneca SporTV. Rede Flamengo de Televisão foi boa. Todo mundo zoava que a Globo era a mãe do Flamengo. Dois anos depois, eles brigando demais, o SBT passando final de Carioca... A vida muda muito rapidamente. Internamente, esses episódios não deram em nada. Só e davam bronca quando eu falava da própria Globo ou quando o negócio repercutia mesmo.

Quais são seus planos futuros para a carreira?

Quero fazer muitas coisas bacanas e diferentes no meu canal do YouTube, para bombar e repercutir. Quero colocar o povo para falar, mostrar muita coisa de torcida organizada. Acho que existe uma visão muito ruim em cima das torcidas organizadas. Óbvio que existem muitos problemas em relação a drogas e brigas, mas têm ações sociais que tem que ser mostradas.

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