Cartão de crédito é mais usado em compras para construir ou reformar

SÃO PAULO – O consumidor prefere usar o cartão de crédito para parcelar as compras de material de construção ou reforma de imóveis, aponta pesquisa encomendada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).

O estudo mostra que 46% dos consumidores utilizam esta forma de pagamento para comprar materiais de construção. Quando o foco da pesquisa é o segmento de móveis, o número sobe para 56%.

Por se tratar de produtos de médio a alto custo, os especialistas do SPC Brasil alertam para que os consumidores planejem bem os gastos para não cair nas armadilhas do crédito rotativo, responsáveis por cobrar as taxas de juros mais altas praticadas no mercado.

Para a economista do SPC Brasil, Ana Paula Bastos, não há problema algum utilizar o cartão para parcelar gastos com reformas, em detrimento de outras formas de financiamento como linhas de crédito específicas para reparos e ampliações da casa. Ela explica que caso o consumidor pague rigorosamente a quantia integral da fatura na data de vencimento, não há praticamente cobrança de encargos financeiros pelo valor financiado, com exceção da anuidade do cartão. “O que já não ocorre com as linhas bancárias para reforma e construção, que sempre cobram uma taxa de juros sobre o empréstimo. A burocratização e o excesso de garantias exigidas pelos bancos também contribuem para repelir o consumidor”, explica a economista.

Na avaliação do SPC Brasil, no caso dos cartões, a zona de perigo se aproxima, quando o consumidor decide pagar o valor mínimo da fatura.

Custo Efetivo total
O estudo revela que 85% dos consumidores declaram ser vantajoso fazer compras parceladas sem juros, no entanto, nove em cada dez brasileiros não sabe o que é custo efetivo total, ou seja, a soma de todos os encargos cobrados em um financiamento.

“O consumidor brasileiro, de modo geral, analisa somente se a prestação assumida cabe dentro do próprio orçamento. Isso é extremamente perigoso, porque muitas vezes o consumidor poderia escolher outra forma melhor de pagamento, poupar e aplicar aquele dinheiro que seria gasto com juros abusivos”, explica a economista Ana Paula Bastos.

Para não perder o controle financeiro e estourar as contas, a economista aconselha que as famílias não comprometam mais do que 30% do orçamento com prestações.

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