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Carros autônomos se beneficiam com tecnologias espaciais da NASA

Felipe Ribeiro
·4 minutos de leitura

A NASA trabalha constantemente no desenvolvimento de novas tecnologias para suas missões em curso e as que virão — não é segredo para ninguém. No entanto, o que pouca gente sabe é que, em alguns momentos na história, alguns desses projetos da agência espacial trazem benefícios para os seres humanos aqui na Terra.

A bola da vez é uma tecnologia chamada de Lidar, que é baseada em laser e que foi projetada para ajudar a aterrissagem de espaçonaves em uma proverbial moeda para missões à Lua e Marte. Ela passará por testes nos próximos lançamentos de foguetes suborbitais com a Blue Origin em seu foguete New Shepard e viajará até a Lua em vários pousadores comerciais como parte do programa Artemis. Simultaneamente, as empresas estão usando a tecnologia para ajudar os carros autônomos da Terra a navegar no trânsito da hora do rush neste planeta.

Por exemplo, um veículo autônomo precisa identificar pedestres, obstáculos, pedras, outros carros e as rodovias, algo que os mesmos sensores desses veículos pousadores que estão sendo projetados farão em Marte e na Lua, mas, claro, com outros propósitos. Os pousadores do futuro podem usar um conjunto completo de tecnologia, incluindo sensores de próxima geração, câmeras, algoritmos especializados e um computador de voo espacial de alto desempenho que funcionam em conjunto e que servirão para as missões futuras, que faro entregas de suprimentos, bem como pessoas para pousar a algumas centenas de metros umas das outras.

Por isso, a NASA organizou o desenvolvimento dessas capacidades sob o projeto SPLICE (Safe and Precise Landing - Integrated Capabilities Evolution, ou Pouso Seguro e Preciso - Evolução de Capacidades Integradas em português). O esforço de desenvolvimento dessa tecnologia está sob o programa Game Changing Development da Diretoria de Missão de Tecnologia Espacial. E mesmo enquanto o SPLICE se prepara para seu primeiro voo de teste suborbital em uma expedição de parceria com a Blue Origin, algumas das tecnologias usadas nele e promovidas ao longo do caminho estão se transformando por aqui, como é o caso do Lidar.

O que é o Lidar e como ele é usado na Terra?

O Lidar é um sistema de detecção semelhante ao radar que usa ondas de luz em vez de ondas de rádio para detectar objetos, caracterizar sua forma e calcular sua distância. No caso do SPLICE, será utilizada uma nova variação chamada de NDL, ou Doppler Lidar de navegação, que é ainda mais avançado: detecta o movimento e a velocidade de objetos distantes, bem como o próprio movimento da espaçonave em relação ao solo (como velocidade, inclinação, rotação e altitude).

Veículo lunar que tem a tecnologia Dopple Linar/ (Imagem: Reprodução/Psionic)
Veículo lunar que tem a tecnologia Dopple Linar/ (Imagem: Reprodução/Psionic)

O co-inventor do NDL, Farzin Amzajerdian, que é o principal investigador da tecnologia no Langley Research Center, da NASA, explicou que a frequência do laser do sistema é pelo menos três ordens de magnitude maior do que os radares. “Frequências mais altas se traduzem em dados de maior precisão e sensores potencialmente mais eficientes e compactos, com a velocidade obtida usando o efeito Doppler”, disse Amzajerdian.

Já Steve Sandford, ex-diretor de engenharia em Langley, acreditava que a tecnologia tinha valiosas aplicações terrestres. Ele apoiou o desenvolvimento do Doppler Lidar durante sua gestão na NASA, vendo os resultados iniciais em primeira mão. Depois de se aposentar, ele fundou a Psionic LLC.

Em 2016, a empresa licenciou a tecnologia Doppler lidar de Langley. Ela também firmou um acordo com o centro para alavancar as instalações e experiência da NASA enquanto desenvolve sua versão comercial da tecnologia para uso na Terra. A Psionic, por sua vez, está refazendo o hardware, um esforço liderado por Diego Pierrottet, um coinventor do Lidar quando trabalhava na NASA e agora é engenheiro-chefe da Psionic. Sandford disse que o trabalho investido pela NASA durante décadas torna possível para a Psionic desenvolver um processo de fabricação viável para entrar no mercado.

O Volvo XC40 é capaz de frenar sozinho e identificar obstáculos/ (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)
O Volvo XC40 é capaz de frenar sozinho e identificar obstáculos/ (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

O uso na indústria automotiva, como já dissemos acima, é para o desenvolvimento de sistemas de direção autônoma para carros que usarão a tecnologia tanto na navegação quanto na prevenção de colisões. Em nossas análises aqui no Canaltech, por exemplo, já tivemos a chance de experimentar algumas alternativas mais acessíveis e simples desses sistemas, como no Hyundai HB20, Volvo XC40 e Toyota Corolla.

Essa tecnologia pode ser muito útil quando um pedestre está cruzando uma estrada ou um caminhão está passando na frente de um prédio. Os algoritmos precisam de dados precisos para determinar o que é o objeto - pessoa, prédio ou caminhão — e se está no caminho do carro, evitando o erro potencialmente fatal de não desacelerar ou parar a tempo.

Fonte: Canaltech

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