Mercado fechado
  • BOVESPA

    120.348,80
    -3.131,73 (-2,54%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    45.892,28
    -178,63 (-0,39%)
     
  • PETROLEO CRU

    52,04
    -1,53 (-2,86%)
     
  • OURO

    1.827,70
    -23,70 (-1,28%)
     
  • BTC-USD

    37.263,16
    +244,87 (+0,66%)
     
  • CMC Crypto 200

    701,93
    -33,21 (-4,52%)
     
  • S&P500

    3.768,25
    -27,29 (-0,72%)
     
  • DOW JONES

    30.814,26
    -177,26 (-0,57%)
     
  • FTSE

    6.735,71
    -66,25 (-0,97%)
     
  • HANG SENG

    28.573,86
    +77,00 (+0,27%)
     
  • NIKKEI

    28.519,18
    -179,08 (-0,62%)
     
  • NASDAQ

    12.759,00
    -142,00 (-1,10%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3926
    +0,0791 (+1,25%)
     

Carros autônomos podem ser aliados no combate ao crime?

Felipe Ribeiro
·4 minuto de leitura

*Colaborou Ramon de Souza

Lançado em 2002, Minority Report – A Nova Lei não é um primor narrativo, mas apresentou um mundo distópico e futurista em que John Anderton (Tom Cruise) era um policial que resolvia assassinatos com a ajuda dos "Precogs", trigêmeos altamente capacitados e que, integrados a um sistema desenvolvido por uma empresa de Washington D.C., conseguiam auxiliar as autoridades e antecipar esses crimes.

Tudo dentro desse filme parece soar absurdo para nós em 2020, mas em 2002, quando lançado, tudo parecia ser bem verossímil, já que, dentro da história, o ano de 2054 nos traria não apenas essa inovação, mas muitas outras. Aparelhos como pen drives, projetores avançados e dispositivos mobile foram muito bem retratados na trama, mas algo chamou ainda mais atenção: os automóveis.

Altamente inteligentes, os carros da trama eram interligados por uma espécie de sistema central na cidade. Para o caso de Anderton, que era um policial, tudo parecia ainda mais funcional, exceto por um detalhe: os Precogs conseguiram prever que ele próprio cometeria um assassinato e, a partir daí, iniciou-se uma caçada para impedir esse crime.

Em meio à fuga, o automóvel de Anderton agiu sozinho, recebendo ordens dessa central e "dedurando" o fato de que ele estava em uma fuga das autoridades. Imediatamente, o carro parou seu percurso atual e começou a levá-lo de volta à delegacia, para que ele fosse preso. Claro, no filme, já sabendo desses mecanismos, o protagonista pulou fora do veículo e o resto vocês já sabem.

Por mais distópico e exagerado que isso possa parecer, hoje temos avanços consideráveis no setor automotivo, sobretudo na parte de segurança. As montadoras investem cada vez mais dinheiro em pesquisas e desenvolvimento de carros autônomos com a promessa de que, em breve, não será mais necessário dirigir e correr os riscos das falhas humanas no trânsito. Mas e se esses carros um dia também agirem como os carros de Minority Report? Há muitas nuances.

Isso já está acontecendo

Na Holanda já existem testes recorrentes com o auxílio de grandes empresas, como Mercedes, Tesla e Toyota. Com o aumento da conectividade em cidades como Amsterdã, os carros, em um futuro não tão distante, poderão se conectar com a infraestrutura da cidade e administrar suas viagens conectando-se aos semáforos, postos de abastecimento e, claro, à polícia. Ainda há muito o que trabalhar, mas a ideia existe.

Como todos os veículos conectados à redes públicas, invasões podem acontecer. Portanto, antes que nossos carros sejam à prova de roubo físico, é necessário que eles também se tornem seguros virtualmente. Por isso, os sistemas de segurança autônomos precisarão ser desenvolvidos também pensando nos hackers, de modo a evitar maiores transtornos não apenas com relação ao produto, mas também à vida das pessoas.

Um carro pode ser considerado uma arma em vários níveis. Bandidos, sobretudo extremistas, podem muito bem invadir carros eletronicamente e transformá-los em carros-bomba sem a necessidade de um suicida dentro. Também há a possibilidade de que, em dado momento em uma fuga com carro autônomo, os criminosos tenham suas mãos livres para trocar tiros com a polícia.

É tudo muito doido, mas pode acontecer.

O que já existe de verdade?

Hoje os automóveis contam com sistemas de segurança semiautônomos, ou autônomos nível 2, por assim dizer. Itens como o controle de velocidade adaptativo, alertas de frenagem, sistemas de frenagem de emergência, piloto automático, auxílio de direção assistida e muitos outros já estão presentes em vários modelos no mercado, como o Volvo XC40, já avaliado pelo Canaltech.

Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech
Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Mas carros que estão quase atingindo um nível acima de "liberdade", como os Tesla, estão bem longe daqui e, nos Estados Unidos, ainda estão sob testes exaustivos. Então, com o que podemos contar hoje?

Carros populares no Brasil já contam com serviços de concierge ativos, como o Ford Ka e o Chevrolet Onix. Em casos de acidentes graves e sem respostas do condutor, automaticamente as autoridades de socorro são acionadas para o resgate. Isso não depende muito de ações externas, já que os sistemas independem da internet, mas, caso no futuro tenhamos os carros que agem "sozinhos", a conectividade terá de ser maior.

Será que, ao roubarem nossos carros, poderemos nós mesmos prender os bandidos com um simples comando de celular, bem parecido com o que estava acontecendo com John Anderton em Minority Report? Difícil prever, mas há um caminho para isso. Tudo vai depender dos testes e do quanto as montadoras vão querer cooperar com as autoridades.

Como entusiasta de automóveis, sempre vou preferir guiar meu carro, mesmo que a possibilidade de curtir uma viagem sem colocar as mãos no volante também possa parecer gostosa. Mas, pensando na segurança, quem sabe com uma ajudinha da tecnologia, mais roubos e assassinatos possam ser evitados?

Que venham os Precogs.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: