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Carro, táxi ou Uber? Ainda vale a pena ter um carro?

Colaboradores Yahoo Finanças
No início do ano uma série de contas relacionadas ao carro batem na porta e sempre fica a questão: será que nos dias de hoje vale a pena ter um carro? (Reprodução)
No início do ano uma série de contas relacionadas ao carro batem na porta e sempre fica a questão: será que nos dias de hoje vale a pena ter um carro? (Reprodução)

Por Melissa Santos

No início do ano uma série de contas relacionadas ao carro, como IPVA e seguro, batem na porta e sempre fica o questionamento: será que nos dias de hoje vale a pena ter um automóvel? Com o aumento de veículos em aplicativos, como Uber e 99, e preços cada vez mais competitivos é normal que esse tipo de dúvida apareça.

De acordo com os especialistas ouvidos pelo Yahoo, antes de mais nada, é preciso mensurar os custos de ter um carro. “Entra nessa conta os gastos com manutenção, impostos, seguro, estacionamento, multas eventuais e combustível. Fora a depreciação do próprio carro – ou seja, quanto ele se desvaloriza todo ano – e o quanto o dono do veículo deixa de ganhar com aplicações financeiras se aplicasse o valor do veículo”, ensina Matheus Gaboardi, professor de Finanças do IBE-FGV.

Feito esse mapeamento é a hora de simular os gastos que você teria se usasse transporte público ou Uber/táxi. Para fazer o cálculo, a dica é somar, em média, as corridas nos principais trajetos realizados, como casa/ trabalho, locais preferidos, supermercado, academia, casa de amigos e familiares.

De acordo com Gaboardi e Reinaldo Domingos, do canal Dinheiro à Vista, dificilmente o carro vai compensar em relação aos gastos com Uber e outras formas de transporte. “Sem dúvida para quem faz pequenas distâncias, sai mais barato andar de táxi ou Uber todos os dias do que manter um carro. Já para quem mora em bairros muito distantes do trabalho ou escola do filho, pode não compensar”, orienta o professor de Finanças do IBE-FGV.

Ainda que não seja possível determinar a proporção ideal do orçamento que deve ser gasto com transporte, Domingos destaca a importância de identificar o tamanho da fatia da renda que está sendo comprometida com os deslocamentos. Para fazer isso, recomenda que, após identificar o montante gasto com locomoção, a família divida esse número pelo total de sua renda. Assim ela poderá saber quanto do orçamento vai para a área de transporte. “Não importa o quanto achou, mas sim se ao gastar isso você ainda está conseguindo realizar seus sonhos”, pontua Domingos.

De acordo com Gaboardi, além de considerar opções mais tradicionais, como Uber, táxi e transporte público, também vale a pena levar em conta o aluguel de carro. “Essa opção é interessante principalmente para quem não precisa do carro para longas distâncias constantemente. E é uma opção que pode sair mais barato do que Uber e táxi”, explica o professor de Finanças do IBE-FGV.

No entanto, não são só as variáveis financeiras que devem ser levadas em consideração na hora de decidir se vale a pena ter carro próprio. “Também é preciso considerar a necessidade pessoal e o ritmo de vida. Fora outros benefícios, como segurança e comodidade. Afinal, com o carro você tem liberdade de ir e vir quando e como quiser”, fala Domingos.

Ele também cita outras vantagens de trocar o status de motorista pelo de passageiro. “De Uber ou táxi, você pode fazer outras atividades e até descansar. Fora que é importante levar algumas outras em considerações na hora de escolher entre táxi e Uber, além dos custos. Em São Paulo, o táxi tem vantagem de acessar os corredores de ônibus, por exemplo, o que pode deixar a viagem mais rápida”, fala Domingos.

De qualquer forma, o que realmente importa, na opinião de Gaboardi, é que as pessoas entendam que ter um carro não é um investimento. “Eu mesmo tenho um carro, pois é cômodo pra mim. Mas eu sei que ele é um passivo na minha vida, ele consome renda invés de gerar. Se a pessoa tiver essa consciência e conseguir ter um carro e ainda sobrar dinheiro para investir, qualquer decisão (ter ou não um carro) está correta”, avalia.