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Carne responde por quase metade da inflação de dezembro, nota IBGE

Bruno Villas Bôas

Além da carne, outros itens que compõem o grupamento da alimentação no domicílio avançaram no mês, como o feijão-carioca As carnes ficaram 17,71% mais caras em dezembro e responderam por 0,48 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que aumentou 1,05% em dezembro. Isso significa que a carne contribuiu com quase a metade (46%) do índice no mês, mostram dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Maior exportador de carne do mundo, o Brasil está embarcando mais do produto e com preços mais elevados em meio à maior demanda da China, que busca preencher o espaço deixado em seu mercado pela peste suína africana.

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Pressionada pelo aumento das exportações, as carnes tiveram em dezembro deste ano seu maior avanço de preços em quase duas décadas. De acordo com dados do IBGE, a maior alta dos preços das carnes em um único mês havia sido registrada, até então, em dezembro de 2007. Foi um período de pressão de preços de alimentos em geral, por questões climáticas e demanda externa.

A abertura do item carne mostra que o avanço foi disseminado entre os cortes: contrafilé (+20,12%), filé-mignon (+14,11%), chã de dentro (+20,38%), alcatra (+21,26), lagarto (+16,98).

Desta forma, as carnes foram as grandes responsáveis pelo avanço da inflação do grupo de Alimentação e bebidas, que passaram de um aumento de 0,06% em novembro para 2,59% em dezembro.

Além da carne, outros itens que compõem o grupamento da alimentação no domicílio (3,62%) avançaram no mês, como o feijão-carioca (20,38%) e as frutas (1,67%). No lado das quedas, destacam-se a batata-inglesa (-9,33%) e a cebola (-7,18%).

A alimentação fora do domicílio (0,79%) também acelerou na comparação com novembro (0,12%), influenciada pelas altas observadas no lanche (1,09%) e na refeição (0,90%).