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Carne mais cara não deve mudar trajetória de cortes na Selic, diz Mesquita

Maria Luíza Filgueiras e Adriana Cotias

Economista-chefe do Itaú prevê uma redução de 0,5 ponto na taxa básica de juros na próxima semana e outras duas quedas em 2020 As recentes pressões nos preços da carne devem ser insuficientes para mudar a direção da política monetária pelo Banco Central (BC), segundo o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita. “O cenário de inflação segue benigno. Se comenta sobre os preços da carne, mas o núcleo aponta para uma trajetória abaixo da meta, bem comportada e baixa para o padrão histórico brasileiro”, disse Mesquita, em evento do Itaú BBA com a imprensa.

Para ele, um ponto de dúvida para a flexibilização monetária seria o nível do câmbio, mas por ora o banco não trabalha com um cenário de maior depreciação.

“O nível de câmbio que influenciaria o corte de juros está mais para R$ 4,50 do que para R$ 4,00”, afirmou Mesquita. “Não é o que estamos projetando, mas de certa forma esse seria o limite de tolerância.”

O Itaú espera mais um redução da Selic em dezembro, de 0,5 ponto percentual, e talvez dois cortes menores no ano que vem. A taxa básica de juros está hoje em 5%. Mesquita considera que, com o menor peso do crédito subsidiado na economia, a atividade responda de forma mais eficaz às ações de política monetária.

O PIB de 0,6% no terceiro trimestre divulgado nesta terça-feira pode levar o banco a fazer uma revisão para cima da projeção de crescimento neste ano, de 1% para 1,2%. As estimativas são de uma expansão econômica da ordem de 2% em 2020, chegando perto de 3% em 2021.

Segundo Mesquita, os números do PIB apontam dois trimestres seguidos de expansão de investimentos. São dados que incluem a ampliação da capacidade de algumas empresas e também a retomada de projetos imobiliários e de infraestrutura, setores mais sensíveis a políticas de recuperação econômica.

“O crédito vem se recuperando, e o consumo também. A demanda doméstica tem sido um fator de resiliência”, disse Mesquita.

O cenário lá fora poderia ser um risco, este ano “o vento não soprou a favor”, mas Mesquita lembrou que a economia brasileira não é tão aberta assim.

O economista chamou atenção ainda para a recuperação do emprego formal, de melhor qualidade e que também afeta a renda.

“O mercado de trabalho é o último a piorar e o primeiro a melhorar, não é diferente neste ciclo.”

Para Flavio Souza, diretor comercial do Itaú BBA, um sinal de recuperação da atividade foi percebido no crescimento das vendas da Black Friday.

Segundo o executivo, as emissões de boletos de cobrança aumentaram 65% neste fim de semana, em comparação ao mesmo período do ano passado.

As transações capturadas nas lojas físicas aumentaram 27% na comparação ano contra ano, enquanto as transações no comércio eletrônico subiram 100%.