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Carnaval 2.0? Que nada, pegação seletiva é o futuro da paquera

Marcela De Mingo
·4 minutos de leitura
Young Couple Kissing
A pegação seletiva é o futuro? Depois de tanto tempo aprendendo a ficar sozinho, sair com qualquer um não vai ser fácil. (Foto: Getty Creative)

"Depois da quarentena, vou beijar todas as bocas possíveis." Se você está solteira, talvez tenha pensado sobre isso inúmeras vezes desde que o distanciamento social, por conta do coronavírus, começou. Se namora, deve ter escutado isso de uma porção de amigos solteiros ou, no mínimo, visto mais de um comentário sobre o assunto nas redes sociais. Longe da balada, dos crushes, sem poder encontrar o match do aplicativo ao vivo sem quebrar a quarentena e colocar pessoas em risco, ser solteira em 2020 não tem sido fácil.

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Fala-se até de um Carnaval 2.0, o rebote pós-pandemia, pós-quarentena, pós-sabe-se-lá-quantos-dias sem transar com alguém. É a mentalidade dos opostos: sem acesso a nada, vou fazer de tudo para compensar. Pelo menos, é assim que as coisas parecem funcionar.

O uso dos aplicativos de encontros, à lá Tinder e Par Perfeito, não mentem. No caso do segundo, o crescimento foi de 70% entre os meses de março e maio deste ano. Um aumento considerável, o que nos leva a pensar que, fora aqueles que já tem um par para passar os dias de confinamento, está tudo mundo atrás de uma tampa para a sua panela - ou só alguém com quem se divertir nas noites de outono.

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Michele Contel, autora de 'Amores Eternos de um Dia' e que fala, há anos, sobre relacionamentos nos seus canais online, percebeu, de fato, um aumento no uso dos apps durante o período de quarentena, mas com um diferencial: "A gente usava esses apps para encontrar pessoas. Como o encontro não é possível, perde-se o encanto mais rapidamente", diz ela. "Por mais que as pessoas conversem mais com outras, é por menos tempo, com menor interesse. Sim, elas passaram a usar mais, mas com um interesse menor do que antes."

Uma pesquisa feita pelo próprio Par Perfeito confirma essa teoria. O app conversou com 1200 usuários, e 61% acreditam que as pessoas estão conversando mais - e que as vídeoconferências estão, até mesmo, sendo úteis para o flerte e a paquera. Aliás, para 71% deles, essas ligações podem ser úteis e virar parte da rotina até mesmo no mundo pós-COVID, como um recurso anterior ao encontro cara a cara.

Michele, aliás, acredita que o comportamento das pessoas será outro daqui para a frente quando o assunto são os crushes, e que a falta de interesse que ela citou acima vai mudar bastante essas dinâmicas. "Na primeira semana [pós-quarentena], tem muita chance de rolar um Carnaval 2.0. Está todo mundo trancado e as pessoas solteiras tão sentindo falta do tato. Porém, eu acho que, depois desse período, as pessoas vão começar a ser mais seletivas. A quarentena fez com que as pessoas ficassem mais tempo sozinhas, e elas passaram a se conhecer mais", diz. "A gente já saiu várias vezes com pessoas só para não ficar sozinha e, tanto no pessoalmente quanto em app, vai rolar um 'Será que essa pessoa é realmente legal?'. Não vai ser mais aquela coisa de 'Não to fazendo nada, vou para lá'."

Importante notar que, aproveitando o ensejo do mês da masturbação, as mulheres (como acontece com frequência) saíram na frente e acabaram usando o tempo sozinhas para se descobrirem mais, sexualmente falando.

De novo, os números comprovam: segundo uma projeção da Associação Brasileira do Mercado Erótico (Abeme), o aumento nas vendas durante o período deve ficar entre 8% e 12%. Algumas lojas especializadas, no entanto, já viram as vendas crescerem até 40%. E isso é um motivador desse nosso comportamento pós-pandemia: se já ficou mais fácil encontrar o prazer sozinha, e se a solitude não é mais uma questão… Sair com alguém, só se valer muito a pena.

"Com todo mundo que eu converso, as respostas são as mesmas: 'agora, para eu sair de casa para encontrar qualquer Zé Ruela é impossível, o cara tem que ser muito incrível'. Eu acho que esse isolamento foi forçado, foi traumático, mas possibilitou esse reencontro consigo", continua Michele. "O medo do domingo à tarde, de ficar sozinha, as mulheres passaram por vários assim, e tudo bem. Fazer um cafezinho só para ela é ótimo. Eu acho que foram quebrados vários estigmas do que é ser solteiro e ser sozinho. A solitude não é ruim, a gente só tem que abraçá-la, e eu acho que a quarentena possibilitou isso para algumas pessoas."