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Advogados de defesa pedem para Justiça libertar Lula; militantes fazem vigília

André Guilherme Vieiria e Andrea Torrente

A expectativa é que a Justiça acolha o pedido da defesa e coloque o ex-presidente em liberdade A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajuizou na manhã desta sexta-feira pedido para que a Justiça liberte o petista. A petição foi feita ao juízo de execuções penais de Curitiba. O advogado Cristiano Zanin, que defende Lula, confirmou a informação ao sair da Superintendência da Polícia Federal (PF) da capital paranaense, onde se encontrou com o seu cliente.

Advogados de Lula dão entrevista coletiva em Curitiba

Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

O pedido ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que o início da execução de pena de prisão em regime fechado deve ocorrer somente após o trânsito em julgado da ação penal, e não mais a partir de uma condenação por tribunal de segunda instância. Zanin se reuniu com Lula por cerca de duas horas na manhã de hoje.A

O processo está nas mãos do juiz Danilo Pereira Júnior, titular da 12ª Vara de Execuções Penais. Por volta das 13h, os advogados da defesa de Lula entraram no prédio da Justiça Federal para pedir uma audiência com o juiz. Como a decisão do STF tem caráter vinculante, a expectativa é que a Justiça acolha o pedido da defesa e coloque Lula em liberdade.

Ao sair do encontro com Lula, Zanin afirmou que o caso do petista é marcado por “grosseiras violações” e que ele e sua equipe insistirão na anulação dos processos. Sua expectativa é de que o alvará de soltura seja expedido o mais rápido possível.

“Não há respaldo jurídico para manter o ex-presidente Lula preso por uma hora sequer [...] Não há nada que possa impedir ou protelar a expedição do alvará de soltura”, afirmou. Uma decisão diferente dessa seria marcada por “conotação política”, completou.

Mais cedo, o advogado postou uma mensagem no Twitter: "Já na PF de Curitiba para conversar com o ex-presidente Lula. Vamos sugerir a ele o protocolo imediato de um pedido ao juizo da execução para que ele saia da prisão com base no julgamento de ontem do STF, sem prejuízo de continuarmos a priorizar o HC [habeas corpus] da suspeição [do ex-juiz Sergio Moro]", escreveu Zanin.

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Militantes começaram a chegar no acampamento ainda cedo pela manhã. Por volta das 10h30, mais de cem pessoas lotavam o espaço, localizado próximo à superintendência da PF em Curitiba. A expectativa é que ao menos 500 pessoas venham participar da vigília Lula Livre. Candidato em 2018, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad também deve visitar o ex-presidente na prisão ao longo do dia.

Entre alegria e tristeza

A alegria de ver Lula de novo em liberdade, relatam alguns, se mistura com a tristeza de ver o provável fim de uma experiência de militância e companheirismo depois de 580 dias. "Fizemos muitas amizades, rolou muita alegria. Agora Lula tem que sair", diz Kátia Broszko, 21 anos, voluntária no acampamento. Há cinco meses, ela trabalha na banquinha de venda de camisetas.

"Nesse período a vigília se tornou essa grande experiência popular histórica do povo brasileiro", diz Roberto Baggio, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Paraná e integrante da vigília.

Desde 7 de abril do ano passado, dia da prisão de Lula, militantes do Partido dos Trabalhadores, dos sindicatos e dos movimentos sociais se reúnem diariamente no acampamento. Os dias são marcados pelos gritos de "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" direcionados ao ex-presidente. Rodas de músicas, encontros e visitas de personalidades que apoiam a causa da vigília são realizados diariamente.

"É uma barulheira todos os dias. Graças a Deus pode ser o fim disso. Imagina aguentar 'bom dia', 'boa tarde', 'boa noite', todos os dias", reclama Francisco Luiz dos Passos Santana, 39, repositor em supermercado e morador vizinho do acampamento. Ele conta que alguns vizinhos se mudaram ao longo dos meses por não aguentarem o vai e vem de militantes.

O sentimento de alívio de Francisco não é compartilhado pela mãe dele, Marlene dos Passos Santana, 71 anos. Acamada, a idosa conta que sempre votou no Lula. "Fico feliz porque [Lula] vai para casa dele com a família dele. Mas [a vigília] vai fazer falta. Eu gosto", conta.