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Captação de fundos de investimento dobra em 2019, aponta Anbima

Rafael Gregório

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a indústria de fundos de investimento captou R$ 191,6 bilhões no ano passado A indústria de fundos de investimento captou R$ 191,6 bilhões em 2019, resultado que é o dobro do registrado em 2018 (R$ 95,4 bilhões), informou nesta quinta-feira a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O resultado só não supera 2017, quando foram aportados R$ 263,8 bilhões no segmento.

Segundo a entidade, o destaque foram os fundos de ações, que levantaram R$ 16,9 bilhões em dezembro e R$ 86,2 bilhões no ano – o volume representa uma alta de 195% em relação aos números de 2018.

Dentro dos fundos de ações, a Anbima informa que os fundos de ações tipo livre (que podem utilizar diversas estratégias de gestão) absorveram R$ 7,4 bilhões em dezembro e R$ 45,4 bilhões em 2019 – o maior volume entre os tipos de fundos.

Os fundos multimercados aparecem na sequência com o segundo melhor resultado no ano, com entrada líquida de R$ 7,7 bilhões em dezembro e de R$ 66,8 bilhões no ano passado, uma alta de 37,3% em relação a 2018.

Dentro dos fundos multimercados, o tipo livre (que podem adotar diversas estratégias de gestão) e investimento no exterior (que aplicam mais de 40% em ativos estrangeiros) se destacaram, com entradas de R$ 3,9 bilhões e R$ 2,7 bilhões, respectivamente, no último mês de 2019, e de R$ 30,1 bilhões e R$ 25,7 bilhões, no ano.

Carlos André, vice-presidente da Anbima, creditou os resultados ao cenário macroeconômico em 2019 e, sem mencioná-la diretamente, à queda da taxa básica de juros do país, a Selic.

“A busca dos investidores por produtos mais arriscados e por diversificação foi ótima para a indústria de investimentos como um todo, especialmente para a de fundos. Com as novas condições da economia, grande parte dos brasileiros compreendeu que o tripé liquidez, segurança e rentabilidade não existe mais”, afirmou.

Contrastando com o crescimento dos fundos multimercados e de ações, os fundos de renda fixa encolheram. Houve saída de R$ 70,3 bilhões em dezembro e saldo negativo de R$ 69,3 bilhões em 2019, o pior resultado desde 2008.

Os fundos de ações também se sobressaíram em termos de rentabilidade. Nove dos 12 segmentos desse tipo de fundo superaram o Ibovespa. Os destaques foram os produtos small caps (que investem em ações de empresas com baixa capitalização), com alta de 51,98%; e os que miram valor/crescimento (que aportam em empresas consideradas subavaliadas no mercado e com potencial de crescimento), que subiram 45,76%.