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Capital estrangeiro e novo líder: conheça o projeto 'B' da Botafogo S/A

Sergio Santana
·3 minuto de leitura


O primeiro plano para profissionalizar o departamento de futebol falhou. A pasta principal da S/A, que vinha sendo tocada desde o ano passado por Laércio Paiva, ficou estagnada e, diante das dificuldades, pessoas envolvidas no projeto assumiram um pessimismo em relação ao projeto. O clube, contudo, não desistiu da ideia de se tornar um clube-empresa.

Carlos Augusto Montenegro, em entrevista coletiva realizada na última quarta-feira, revelou que o projeto "B" da Botafogo S/A vem sendo tocado por Gustavo Magalhães há dois meses. O empresário estava envolvido no plano principal desde o início mas, diante das evidentes desistências, começou a tocar um possível novo rumo.

O plano principal da Botafogo S/A era tocado desde o ano passado. Laércio Paiva, com a ajuda de um estudo financeiro realizado pela Ernst & Young, mapeou todas as dívidas do Alvinegro. A partir da análise, foi colocado que o clube precisaria arrecadar R$ 250 milhões para iniciar o projeto de se tornar um clube-empresa. Assim, criou-se um grupo que se reunia semanalmente para debater os planos do projeto:

- Carlos Augusto Montenegro
- Ricardo Rotenberg
- Carlos Eduardo Pereira
- Manoel Renha
- Nelson Mufarrej
- Laércio Paiva
- André Chame
- Cláudio Good
- Gustavo Magalhães
- Paulo Mendes
- Luiz Felipe Novis

Desde então, o Botafogo arrecadou R$ 180 milhões do montante necessário. Destes, R$ 126 milhões vieram do mesmo grupo de acionistas, todos botafoguenses, que investiram em 50% + 1 do todo para ter maior parte do controle das ações. A partir da ajuda de Laércio, o clube conseguiu mais R$ 54 milhões, também vindo apenas de torcedores do Alvinegro.

Diante das dificuldades para conseguir novo capital, muitos dos envolvidos davam as sugestões de tentar abrir a possibilidade de outros empresários tentarem investir. Os acionistas majoritários, contudo, não concordavam: queriam que o dinheiro fosse composto apenas por empresários botafoguenses - se não, estariam fora da jogada. O projeto não andou e, diante das dificuldades, Laércio Paiva deixou a S/A.

PROJETO B E GUSTAVO MAGALHÃES
Sem poder contar com Laércio, o Botafogo iniciou a retomada para começar o projeto "B", que estava de backup para o principal. Diferente do A, o novo plano permite a entrada de capital nacional e estrangeiro, independentemente de qual for o time que o possível empresário torça. O plano busca acordos comerciais.

Todos os envolvidos no primeiro plano - com exceção, é claro, de Laércio Paiva - continuam tocando o novo projeto. Desta vez, o líder é Gustavo Magalhães, do ramo da gestão empresarial. Como o Plano A era oferecido apenas para botafoguenses, a primeira ação do empresário foi traduzir todo o estudo feito desde o ano passado, colocar em inglês as possíveis oportunidades de investimento e, assim, começar a apontar para o mercado internacional.

- Sobre a S/A: uma esfriou (Laércio), e a outra o Gustavo está de vento em polpa para buscar o dinheiro. Ele tem uma corretora, está trabalhando dia e noite. Não tem prazo, eu não sei sobre isso. Trabalhamos muito e não conseguimos 250 milhões, só 180. Por que não começamos com 180? Porque o investidor maior não quer. Estou tentando ajudar o Gustavo no que eu puder. Se a gente conseguir um dinheiro novo podemos começar uma vida nova - afirmou Carlos Augusto Montenegro.

A parte negativa é que os R$ 126 milhões dos acionistas majoritários e os R$ 54 milhões de empresários botafoguenses estavam comprometidos com o plano principal. Desta forma, o plano B começa do zero, com nenhum dinheiro adquirido. Há a possibilidade de as mesmas pessoas que se comprometeram antes voltem a assumir um compromisso, mas ainda não há nada firmado.

- É investimento estrangeiro e brasileiro, estamos atacando todo mundo. Inclusive os botafoguenses que ajudaram no primeiro projeto. Todos da sala 03 (local que o grupo se reunia semanalmente) continuam no projeto, todos estão com o Gustavo. E muito do trabalho que o Laércio fez está sendo feito pelo Gustavo, mas a gente traduziu para o inglês. O projeto 1 era apenas para botafoguenses brasileiros, agora todos estão juntos - completou o dirigente.