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Capital Economics corta previsão do PIB do Brasil para alta de 0,5% em 2020

Anaïs Fernandes

Economista-chefe da consultoria espera enfraquecimento da demanda global, condições restritas de financiamento e redução nos preços de petróleo A Capital Economics voltou a cortar sua previsão para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020, de 1,3% para 0,5%. Para 2021, a estimativa é de crescimento de 1,8%.

Apesar de a América Latina ter no momento um número relativamente baixo de casos confirmados de coronavírus e as ações dos governos se limitarem a quarentenas para viajantes, “os efeitos indiretos afetarão pesadamente as economias da região”, escreve em relatório William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics.

“Embora seja difícil fazer previsões em meio a tanta incerteza, o cenário de enfraquecimento da demanda global, condições mais restritas de financiamento externo e preços mais baixos do petróleo significa que são necessárias revisões às nossas previsões de crescimento do PIB”, afirmou, em relação à região.

Jackson destaca que os governos têm pouco espaço para afrouxar a política fiscal, “e o governo brasileiro quer que as medidas de estímulo sejam fiscalmente neutras”, acrescenta. “Também está enfatizando a importância das reformas estruturais, mesmo que os benefícios delas sejam no longo prazo. Isso reflete as restrições impostas pelas finanças públicas fracas.”

Sobre o câmbio, o relatório observa que “as moedas latino-americanas tiveram o pior desempenho do mundo nesta semana”. Na visão da Capital Economics, os preços das commodities vão, em geral, se recuperar até o fim do ano, ajudando as moedas da região a recuperar terreno perdido.

Para a Capital Economics, a decisão do Comitê de Políticas Monetárias (Copom) para a Selic na reunião de 17/18 de março dependerá, em parte, dos movimentos nos mercados financeiros no início da semana.

A casa afirma que existem fortes argumentos a favor da flexibilização, com a perspectiva de inflação baixa nos próximos meses e as preocupações crescentes a respeito dos efeitos do coronavírus na economia. A pressão sobre o real, no entanto, deve, provavelmente, impedir “os formuladores de políticas de agir”.

“No momento, achamos que é mais provável que os formuladores de políticas deixem a taxa Selic inalterada em 4,25%”, escreve Jackson. “No entanto, ainda esperamos um corte de 25 pontos-base no final deste ano. Se os mercados começarem a encontrar seus pés, isso poderá ocorrer na reunião de maio”, acrescenta.