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Caos em contagem de votos nos EUA reflete despreparo de estados

Todd Shields, David McLaughlin e Andrew Ballard
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Muito do atraso na contagem de votos que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou para questionar o resultado das eleições poderia ter sido evitado se mais estados tivessem processado as cédulas enviadas antes de 3 de novembro, como foi o caso da Flórida, um estado-chave, e de outros lugares.

Seria “uma reforma fácil, óbvia e apartidária”, disse Michael Morley, especialista em direito eleitoral Universidade Estadual da Flórida. “Teríamos resultados muito antes dessas jurisdições e muito menos chance de mudanças pós-eleição no resultado aparente.”

Mais de 90 milhões de cidadãos americanos solicitaram cédulas pelo correio, e 65 milhões as enviaram de volta até o dia da eleição em 3 de novembro, de acordo com o rastreador de votos antecipados do Projeto Eleitoral dos EUA. O volume foi quase o dobro em relação a quatro anos atrás, impulsionado pela flexibilização das regras pelos estados para ajudar eleitores a evitarem a exposição ao coronavírus. A participação eleitoral atingiu níveis históricos.

Na Flórida, os votos enviados pelo correio eram inseridos nos equipamentos de contagem à medida que as cédulas chegavam. Com isso, os computadores puderam divulgar resultados quase no mesmo tempo do fechamento das urnas, às 19h. A vitória de Trump no estado foi declarada naquela noite.

Mas outros estados ainda operam sob leis escritas quando as cédulas enviadas pelo correio chegavam aos poucos e não em um dilúvio. Esses estados exigem que agentes eleitorais separem as cédulas até o dia da eleição, em alguns casos depois que republicanos bloquearam medidas para permitir o processamento antecipado.

Em Wisconsin, Pensilvânia e Michigan, cédulas enviadas pelo correio amontoavam-se em escritórios eleitorais sem serem abertas ou carregadas nas máquinas de contagem, com exceção do processamento limitado em algumas localidades de Michigan em 2 de novembro.

Nesses estados, assim como na ainda contestada Geórgia, a contagem dos votos enviados por correio começou na terça-feira. Michigan e Wisconsin foram declarados para Biden na quarta-feira e, nos outros estados, a contagem continuou por dias sem um vencedor declarado. Trump, ao observar suas margens diminuindo com a contagem, abriu processos em vários estados e na quinta-feira tuitou “PAREM A CONTAGEM!”

O caos reflete o ajuste incompleto dos estados ao novo padrão de votação em massa por correio, disse Michael McDonald, professor da Universidade da Flórida, que dirige o rastreador de votos do Projeto Eleitoral dos EUA.

“As leis eleitorais e a infraestrutura foram realmente projetadas para um eleitorado muito menor pelo correio”, disse McDonald.

Não permitir o processamento das cédulas bem antes do dia da eleição “foi claramente uma decisão política”, disse McDonald. “Isso dá vantagem a Trump, a oportunidade de desacreditar a contagem tardia dos votos.”

A secretária de Estado de Michigan, Jocelyn Benson, do Partido Democrata, culpou legisladores pelos resultados atrasados. Ela disse que ela e autoridades eleitorais imploraram à legislatura estadual durante 18 meses para permitir o pré-processamento das cédulas pelo correio. Os republicanos detêm a maioria na legislatura de Michigan.

Em todo o país, não está claro se foi a votação por correio que aumentou a participação ou a extensão da votação por mais dias durante a eleição deste ano, que despertou um alto grau de interesse, disse McDonald, da Universidade da Flórida.

McDonald destacou o Texas, onde as leis do voto por correio não foram alteradas, mas a participação, incluindo a votação antecipada presencial, dobrou em relação ao nível visto há quatro anos.

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